Opinião
PRODU��O LOCAL
Há quem conjure ser o exercício do cargo de administrador público apenas as articulações políticas, o afago em aliados, a urdidura de tramas para a perpetuação no poder. Não é assim. Os que se dedicam ao bem da sociedade são compelidos ao trabalho não pelo narcisismo, mas pela necessidade imperiosa de ver esta sociedade evoluir, por vezes sob condições muito adversas, em momentos extremos. Foi o que aconteceu quando assumimos o cargo de governador de Alagoas pela primeira vez, em 1999. Encontramos o caos: funcionalismo insatisfeito, dívidas e o alagoano descrente de tudo. Trabalhamos duro para arrumar a casa, e estabelecemos as bases para, aí sim, implantar uma política desenvolvimentista. É com orgulho que vemos hoje algumas iniciativas inauguradas por nós transformarem-se em motrizes da economia, caso dos Arranjos Produtivos Locais (APLs). Em 2004 lançamos o Programa de Desenvolvimento dos Arranjos e Territórios Produtivos Locais do Estado em parceria com o Sebrae. O Programa, fundamentado em ações coletivas e integradora, estava voltado para os pequenos negócios. Ao todo, 60% dos municípios alagoanos foram contemplados com ações direcionadas para a movelaria, turismo, laticínios, apicultura, mandioca e ovinocapricultura. Passados 12 anos, os Arranjos Produtivos Locais estão consolidados ? em nível federal atingem 40% dos municípios brasileiros. Têm um significativo peso econômico, já que os pequenos produtores efetivamente movem o País. Em Alagoas, com o declínio das atividades produtivas como algodão, fumo e cana-de-açúcar, era fundamental manter a população rural produzindo, garantindo o sustento. A ovinocaprinocultura tornou-se alternativa de renda para um grande número de famílias e está presente em 20 municípios alagoanos. Mais recentemente, o APL da horticultura tornou o agreste de Alagoas um grande produtor de hortaliças ? a folha da alface substituiu a folha do fumo (não de todo, os fumicultores resistem bravamente e mantêm uma produção baseada não na quantidade e sim na qualidade do produto). Numa disputa para o governo há alguns anos, um adversário nosso ironizou o incentivo que demos aos pequenos produtores ? ele alardeava grandes indústrias. O tempo provou que estávamos certos. Os móveis, a alface, o turismo, os animais representam uma tendência econômica em tempos de crise e garantem o sustento de boa parte da população. São projetos que gratificam o governante que exerce o cargo não para si, não para o propalado e onipresente mercado, mas para pessoas simples que querem ter o que comer e um local para viver dignamente.