Opinião
CARA DE PALHA�O, ROUPA DE PALHA�O, CARA DE VERGONHA
A história narrada nesta coluna parece uma daquelas fábulas que a gente lia quando menino por indicação dos nossos pais e professores. Eram textos educativos e criativos para estimular a leitura a partir da infância. Os personagens em geral são animais, inventados pelos autores para criticarem indiretamente atitudes e costumes das pessoas no cotidiano. Ao final de cada uma, fica um bom exemplo, uma reflexiva lição de moral para não mais esquecer. Assim é ?A cigarra e a formiga?, que ouvimos e lemos tantas vezes e nos ensinou que a vida não é só divertimento, é preciso trabalhar para garantir o futuro. A cobra que ajudou a onça num instante de dificuldade na esperança de um dia receber a recompensa. Recebeu e como recebeu! Circulando pela mata, uma grande pedra rolou sobre a jararaca prendendo-a pelo rabo. Horas depois, já desesperada sem chances de reconquistar a liberdade, surge a velha onça fazendo valer seu poder para afastar o peso que sufocava a víbora. Moral da história: antes tarde do que nunca. Qualquer semelhança com o momento político atual é mera coincidência. Desta feita, o ator não é bicho, é gente do bem e parece uma fábula nesse Brasil de hoje, mas não é. Poucos já ouviram falar de um moço chamado Francisco Everaldo Oliveira da Silva, um humilde nordestino nascido nas brenhas do sertão. Ele é o Palhaço Tiririca. O talentoso artista popularizou-se tanto com as suas palhaçadas que ganhou a simpatia dos paulistas ao ponto de ser eleito Deputado Federal com estrondosa e surpreendente votação em duas legislaturas. No exercício da atividade parlamentar, Tiririca foi seduzido para entrar no submundo da corrupção, segundo delação do Senador Delcídio do Amaral, com a missão de fazer parte da tropa de colegas que barrariam a criação da CPI da Petrobras. R$ 500 mil foi a proposta do suborno para corromper o palhaço, que reagiu com dureza e dignidade: ?Não lhe chamo de excelência, senador, porque você não é excelente. Nunca mais mande me oferecer dinheiro em troca de votos. Voto com minha consciência pensando no que é melhor para o povo. Nem meu partido tem moral de me fazer mudar um voto, quanto mais o seu dinheiro sujo?. Dignidade e vergonha na cara são atributos que esse moço tão simples, às vezes até parecendo ingênuo, provou que tem para dar e vender. É uma raríssima exceção entre os seus pares de parlamento. A moral da história que nos deixa o Palhaço Tiririca é que honestidade é uma chama que nos faz acreditar que ainda existe no coração de alguns seres dessa conturbada humanidade política.