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O anivers�rio

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MARCOS DAVI MELO * O ministro José Grazziano (combate à fome), não tendo coisa melhor para fazer, disse que a violência que grassa no sul maravilha, é culpa dos retirantes nordestinos. Pecou por preconceito e por desconhecimento da verdadeira alma do nosso povo, na sua maioria dotado de grande força de trabalho e sempre renovada solidariedade. Um exemplo recente, vivemos quando da nossa primeira reunião do ano com os maestros das orquestras que vão tocar no desfile do Pinto. Alertamos para a dificuldade de caixa para pagar todos os músicos. O ano passado foram 10 orquestras, este ano serão 15, perfazendo 630 músicos. As que não tinham participado, insistiam em fazê-lo este ano. Propomos então que se reduzisse o número de músicos por orquestra, diminuindo assim o custo total. A proposta foi rejeitada. Afirmaram ainda: pelo contrário, a quantidade de músicos da maioria das orquestras iria aumentar. Diante da nossa perplexidade, justificaram: os jovens músicos que se agregaram às orquestras (quase todas do interior do Estado) durante o ano, tinham como sua perspectiva maior, se apresentar em Maceió no desfile do Pinto da Madrugada. Como insistíssemos que não existia bufunfa suficiente para bancar a empreitada, encerraram a questão: eles dariam um jeito, os que crescessem em número de participantes, eles se virariam repartindo o cachê de um por dois; o de dois por quatro, etc. O que importava era a suadíssima participação de todos os que tinham se preparado. Quem ficasse de fora se sentiria discriminado. Grazziano, como a maioria dos habitantes do sul maravilha, desconhece a realidade do homem nordestino. O que não é o caso de Lula, que na esperança (parece, desperdiçada) de sensibilizar o seu ministério para os dramas de nossa região, já fez até uma estrepitosa viagem para o Piauí e Pernambuco, com o primeiro escalão. Discursaram, comeram e beberam a beça, e parece que não serviu para sensibilizar nem o Grazziano. Era coisa para demissão imediata deste cabra. Cidadão tão insensível e prepotente que não atinou para a origem do seu chefe. Um nordestino que embora distante de sua terra há muito tempo, não perdeu as suas raízes e tomara, a sensibilidade. É por estas e por outras mais que as manifestações de caráter purae inequivocamente nordestinas ? comoo nosso folclore carnavalesco, mormente o frevo, o maracatú, os caboclinhos ?, têm queser a cada dia mais valorizadas e preservadas. Mesmo porque são boas, originais, autênticas e muito se identificam com o nosso povo. Neste domingo, na inigualável Ponta Verde, vamos comemorar o aniversário do Pinto da Madrugada. Vamos cantar a alegria de viver e homenagear bravos alagoanos que muito contribuíram com o nosso carnaval, dando-lhes a Comenda da Ordem do Pinto. Vamos nos deleitar com nossa condição de nordestinos e esquecer o preconceituoso Grazziano. (*) É MÉDICO

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