Opinião
DELSON UCHOA, O NOME ALAGOANO DA ARTE CONTEMPOR�NEA
Costumo dizer que o Brasil passou na contramão da História da arte, até o terceiro quartel do século XX. Enquanto a Europa e Estados Unidos construíram uma trajetória artística sólida ícones da pintura brasileira como Di Cavalcanti e Portinari pescavam os traços de Picasso e ficaram de fora. E não estou inventando isso, o leitor pode fazer uma análise da obra dos dois artistas descobrirá sozinho. E não se trata de uma busca do movimento cubista não, era o fascínio que Picasso exerceu sobre muitos artistas do século XX. Foram as bienais, as documentas e os grandes salões internacionais responsáveis por esta interação que levou os parangolés de Hélio Oiticica na década de 1980 para fora do Brasil e os inseriu na História da Arte mundial. Delson Uchoa foi um destes desbravadores que desde 1980 já possuía cotação na Revista Arte Galeria, editada por Marcantônio Vilaça. Era um artista que havia saído do atelier de Pierre Chalita, expôs pela primeira vez na Galeria da Sucata Decorações, uma obra bem afoita, porém nada do que hoje produz, depois seguiu em frente, marchou para o futuro. Nessa época artistas como Fernando Lopes tinha contrato com a Galeria Ranulpho, em Recife, exposições no eixo Rio-São Paulo com direito a críticas ferrenhas a nível nacional de Roberto Pontual. Isto não era ruim, ao contrário, dava-lhe mais prestígio, embora o deprimisse. Mas, uma coisa é importante frisar: esses dois artistas estavam além do mercado local. Nesse mesmo período, alguns alagoanos que hoje desfilam seus currículos, cheios de empáfia, dos feitos fora da terra do sururu, ainda tentavam se descobrir como artista visual. E Delson era um menino ainda. Por isso não me surpreendeu a sua participação na 53ª Bienal de Veneza em 2009, nem qualquer outra participação desde a década de 1980. Esse cara é afoito, arrojado sabe o que quer. Na mesma medida que trabalha instalações, usando sombrinhas como ready-made no meio da caatinga, abaixado às vezes que nem um jabuti, na beira dum rio ou no meio do mato, cria painéis soberbos com filigranas de cores que desmonta a ideia abstracionista. Inventa e reinventa em cima de suportes e dimensões superlativas. É um operário que produz arte, nu da cintura pra cima, suado como um servente de pedreiro. Hoje, não tenho dúvida alguma, que é um dos maiores artistas que existe de Alagoas para o mundo.