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Opinião

O CORA��O N�O GERA �DIO

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Entre tantas manifestações emocionais que eclodem no âmago do ser humano, o ódio talvez seja a mais perigosa de todas. ?É um sentimento torpe, o mais negativo e pernicioso por todas as consequências perversas que gera, sobre o odiado como sobre o odiento?, escreveu certa feita o ex-senador Saturnino Braga. Nos últimos tempos e com os graves problemas que afetam a sociedade no campo político e econômico, as redes sociais estão destilando um ódio incontrolável, uma disputa que alcança níveis irracionais de acusações e mentiras, rapidamente propagadas como se fossem verdadeiras. Muitos estão perdendo o senso da razão, inclusive algumas pessoas do meu relacionamento estão contaminadas pelas suas próprias ideias ou pelo que recebem dos seus seguidores. Que me desculpem, mas sou obrigado a deletá-las por algum tempo em razão do desconforto que causam. Inclusive pessoas letradas, trabalhadoras, gente profissionalmente vitoriosa que no auge das suas convicções não conseguem controlar os impulsos verbais ao dedilhar no teclado das máquinas tecnologicamente poderosas. Gosto da frase: ?O coração não gera ódio. Quem gera o ódio é a boca?. Só que agora estão disseminando ódio não apenas pela boca, mas pelas mãos que digitam nos teclados dos computadores e smartphones. A instantaneidade da informação, graças à velocidade da internet, transmite verdades e conhecimento dos problemas nacionais em tempo real. Igualmente também dissemina um massacre de imagens deformadas pelas montagens maldosas e um poço sem fundo de acusações suspeitas, falsidades e mentiras. Os tempos são de grandes mudanças morais e éticas tão necessárias para um País que há décadas e décadas convive com o atoleiro da corrupção indistintamente de siglas partidárias. Não estamos em guerra civil e longe de imaginar que grupos estão contaminados por um ódio populista, sentimento que cega, escurece a razão do ser humano. Diante dos últimos acontecimentos protagonizados pela justiça brasileira, entre altos e baixos, gritaria e esperneio de suspeitos e condenados, podemos considerar um alento para homens e mulheres, sonhadores por um País mais decente nas atitudes dos seus comandantes. Que surjam outros magistrados da linhagem de Joaquim Barbosa e Sérgio Moro, novos jovens procuradores comprometidos com o sentimento de justiça social, para fortalecerem o projeto Brasil mãos limpas. O ódio não pode destruir o diálogo, gerar discórdia, intolerância e muito menos criar rachaduras na base da maior de todas as nossas conquistas, o Estado Democrático.

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