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Dados do Censo Escolar 2015, divulgado ontem pelo Ministério da Educação, mostram que, nas escolas públicas do Brasil, mais de 200 mil professores dão aulas em disciplinas nas quais não são formados. Isso equivale a 38,7% do total dos cerca de 518 mil professores na rede. Em alguns casos, um mesmo professor dá aula em mais de uma disciplina para a qual não tem formação. Com isso, o número daqueles que dão aula com formação inadequada sobre para mais de 374 mil, o que equivale a 52,8% do total. Embora a maior lacuna esteja em física, a falta de formação adequada atinge também duas disciplinas chave para formação dos estudantes: matemática e português. Em matemática, 73.251 do total de 142.749 não têm a formação específica para lecionar a disciplina, ou seja, 51,3%. Em língua portuguesa, do total de 161.568 professores em exercício, 67.886 não têm licenciatura em português, o equivalente a 42%. Português e matemática são justamente as disciplinas cobradas em avaliações nacionais como a Prova Brasil e internacionais, como o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), e são usadas para medir a qualidade da educação. Os dados mostram que a formação de novos professores não acompanha a demanda. É comum, em concursos públicos para a área de Educação ? como já ocorreu em Alagoas ?, nem todas as vagas são preenchidas, principalmente nas disciplinas da área de ciências exatas, como matemática, física e química. A saída encontrada é a contratação de monitores para que os estudantes não fiquem se ver os conteúdos. A carência de professores é um fenômeno que vem se agravando nas últimas décadas. O fato é que cada vez menos jovens querem ingressar na carreira docente. Entre os motivos estão a baixa remuneração, a desvalorização social da profissão e o desinteresse e o desrespeito dos alunos. O ciclo do desinteresse pela carreira tem impactos imediatos sobre a qualidade da educação, especialmente na rede pública. É preciso que os governos priorizem de fato a educação, valorizando os educadores, investindo em sua formação, melhorando os salários e a estrutura das escolas, caso contrário continuaremos amargando índices vergonhosos. Educação de qualidade é um dos fatores que mais contribuem para o desenvolvimento, por isso é preciso sair da retórica para a prática.

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