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Opinião

A INCR�VEL L�GICA DA PAIX�O

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A crítica literária universal considerou, nos trabalhos do famoso escritor francês Prósper de Mérimée, uma indicação que desenvolvia a lógica da paixão. Uma abordagem em forma de uma linha sucinta e objetiva, ao falar sobre o drama que envolve as angústias do coração. Na célebre novela Carmen (tema da ópera de Bizet), vivenciada no escolhido cenário ?caliente? da Espanha, com manifesta sensibilidade, projetaria uma outra forma de sensualidade, caracterizada por uma serena alegria. O renomado pensador alemão Friedrich Nietzsche a traduziu como sendo diferente de uma alegria francesa ou alemã. Esta sua focalizada alegria seria africana, com um gosto de fatalidade sobre si mesma; e, ainda, detentora de uma felicidade passageira e sem perdão. Delineou um clima de amor espontâneo, ao sabor das marcas de um destino, inocente, cruel e revestido das cores da natureza. Um sentimento acima do bem e do ódio que poderá acontecer na vida dos seres humanos. O citado Nietzsche, com genialidade, alega desconhecer uma ironia igual e trágica, símbolo da essência do amor, expressa de maneira tão contundente e rigorosa, no desespero do marcante personagem dom José, que se tornara alvo de uma rejeição sentimental. O último grito do aludido protagonista, oficial militar, conclui a renomada obra, nos seguintes termos: ? Sim ! Eu a matei, eu ? minha adorada Carmen ?. A aplaudida escritora francesa Cécile Wajsbrot destaca, no rigor da cena, as palavras da exótica vítima, antes de ser apunhalada: ? Não te amo mais; mas tu ainda me amas, e por isso queres me matar. Bem que poderia te dizer uma mentira, mas não direi. Tudo está acabado entre nós?. A literatura universal possui obras célebres com desfechos semelhantes. ?Madame Bovary? de Flaubert narra a tragédia passional envolvendo o médico Charles Bovary e sua desafortunada esposa Emma, vítima no esplendor de sua juventude e de sua beleza. ?Othelo?, o mouro de Veneza, de autoria do insuperável dramaturgo inglês William Shakespeare, assassina a bela Desdênoma, enlouquecido por um ciúme doentio e desesperado pelas intrigas de um amor indomável. Os franceses, afirmam os estudiosos, cultivam uma frase dita verdadeira, entre os homens e entre os deuses: O amor é de todos os sentimentos, o mais egoísta, e o menos generoso quando é ferido.

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