Opinião
FELIZ P�SCOA, PAI
Aqui está você de novo. É sempre assim. Um dia você aparece e a vontade de vir falar contigo, aqui, não consigo frear. Como consigo antes, em outros dias em que você me vem à memória do coração. Estou de novo no Villas, na nossa (minha e de Ana Paula) Yásnaia Poliana (nome que dei em homenagem a Tolstoi, e que você felizmente visitou), num final de domingo de páscoa. Desta vez, como sempre acontece, uma força muito maior do que eu, talvez do tamanho da minha saudade e do meu amor por você, me impele a vir falar de você e para você. Ao mesmo tempo me lembro de nossa mulher (sua esposa e minha mãe), que tantas virtudes e amor tem, e que graças ao bom Deus ainda está aqui comigo, com minhas irmãs, Dani e Ioió, para nos manter unidos e jamais esquecidos do amor que nos une, e da certeza de que devemos permanecer sempre juntos, porque sempre estaremos na defesa uns dos outros. E que jamais poderemos nos esquecer disto. Têm me dito, cada vez com mais frequência, que estou ficando muito parecido com você. E também têm me reiterado o seu desejo, manifestado (às minhas costas) e, pior, a sua convicção, de que um dia eu iria cuidar da sua Lagartixa. Quando me disseram isto, em testemunho, achei que tinha sido mais um devaneio, ou mesmo uma sacanagem póstuma sua. Como a me dizer que todas as suas vontades acabariam por se realizar. Bom, o que posso dizer é que resisti o quanto pude, mas que a sua vontade, confidenciada (e reiterada) um dia por ?nossa? mulher, me perguntando mil vezes se eu queria mesmo aceitar essa incumbência (sempre a me proteger), foi por mim acatada. Estou tentando dar o melhor de mim, pai. A cada dia, a cada semana, para que você não se decepcione comigo. Para isto, reitero, por escrito, agora, o meu pedido para que você me ajude, o tanto que você não me ajudava quando íamos à Lagartixa e você já queria que eu soubesse sobre gado e agricultura o que eu não podia saber. Você não era um bom professor. Didática sofrível. E eu ouvia e ouvia o que você dizia (para os outros), para aprender. Mas era o seu jeito, e em parte a sua convicção de que eu era um filho dotado de uma inteligência e poder que só os que amam e admiram têm. Coisas que só o seu amor poderia explicar. Aqui estou eu de novo falando com você. Para agradecer, de novo, pelo pai que eu tive e tenho. E para te pedir que não deixe de olhar por nós todos daí de onde você está. Para que nos mantenha unidos. Para que cuide de ?nossa? mulher. Para te dizer de nosso amor. Para te dizer que continuo a te amar. E que sinto muitas, muitas saudades de você. Feliz Páscoa, pai.