Opinião
DIA MUNDIAL DA JUVENTUDE: COMO � TRATADO O FUTURO?
?Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética?. Esta frase de Che Guevera me leva a algumas reflexões sobre o papel da mocidade no meio social. Especificamente em 30 de março é lembrado o Dia Mundial da Juventude, mas, a exemplo de outras datas comemorativas, como 8 de março (Dia Internacional da Mulher), considero que esta seja uma oportunidade para refletirmos sobre a atenção que dedicamos aos nossos adolescentes. Primeiro, pensemos: o que é ser jovem? Se seguirmos os conceitos engessados dos dicionários, diremos que o jovem é ?aquele de pouca idade?, ?aquele que ainda não é adulto?, mas será mesmo que conseguiríamos descrever a juventude de uma forma tão objetiva? Logo esta fase da vida que poderia ser tão facilmente descrita como um período de experimentos e sonhos? Esta é uma ponderação pertinente nos dias atuais, repletos de violência e outros dissabores. Vivemos em uma época medonha, na qual nossos jovens ? sejam eles ricos ou pobres ? têm fácil acesso a males como as drogas, às más influências de criminosos e (além de tudo isso) ainda são reféns da falta ou insucesso de políticas públicas voltadas ao público adolescente. Decerto, desde 13 de julho de 1990 ? data de criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil ? é notório que nosso País passou a contar com diversos avanços na hora de lidar com esta população, mas, com certeza, a concepção do ECA não foi o suficiente para que a juventude brasileira vivenciasse dias melhores. Esta afirmativa é confirmada em dados veiculados pela Revista Exame, no ano passado. De acordo com a publicação, só em 2013 mais de 23 mil adolescentes cumpriam medidas socioeducativas privativas de liberdade. Isto significa que 23 mil de nossos jovens eram considerados menores infratores há pouco mais de dois anos. Agora, indago: qual a solução que buscamos diariamente para a resolução deste problema tão grave? Muito se fala na redução da maioridade penal sem ao menos pensar na obviedade de que a idade é um número e não são algarismos que definem a maturidade de um cidadão, seja ele jovem ou adulto, mas sim as experiências acumuladas em suas vidas e a educação a qual são expostos. Penso que é chegada a hora de olharmos para nossos jovens com um olhar paternal (ou maternal), e os enxergarmos como o que verdadeiramente são: o futuro da humanidade. Somente desta maneira entenderemos que a solução para erradicação da criminalidade entre menores está no investimento na educação, esporte, cultura, saúde, lazer e não na criação de ações punitivas ferrenhas.