Opinião
Uma base para o futuro
O Brasil está preparando a Base Nacional Comum Curricular, documento que vai fixar conteúdos mínimos que os estudantes devem aprender a cada etapa da educação básica, da educação infantil ao ensino médio. A Base está prevista em lei, no Plano Nacional de Educação, e deve ser finalizada até junho deste ano. O documento inicial recebeu mais de 12 milhões de contribuições pela internet. Uma segunda versão deverá ficar pronta até 15 de abril. Uma das referências para a configuração dessa base comum é a experiência australiana. País federativo, lá a responsabilidade pela educação escolar é predominantemente dos estados e territórios, que já contavam com seus próprios documentos curriculares, o que gerava disparidades entre os desempenhos dos estudantes de diferentes regiões. Além disso, a diversidade cultural de sua população configurou um desafio para que todos os alunos pudessem se ver representados. Ainda assim, o país construiu um currículo nacional conciso e objetivo, que deixa claro quais são os conteúdos a serem ensinados, o que os estudantes devem demonstrar como resultado e como as habilidades podem ser desenvolvidas e verificadas. Tudo isso complementado por um material de apoio com exemplos reais que auxiliam a implementação do currículo nas escolas. O modelo australiano define competências a serem desenvolvidas pelos alunos, que vão de letramento e habilidades numéricas a pensamento crítico e criativo. Incluem também capacidade de informação e comunicação tecnológica, capacidades pessoais e sociais, compreensão ética e compreensão intercultural. Todas essas habilidades são trabalhadas em oito áreas de aprendizagem: inglês, matemática, ciências, ciências humanas e sociais, artes, tecnologias, educação física e línguas. É necessário e urgente que o Brasil também tenha sua base curricular comum, que estabeleça o mínimo que todo aluno terá o direito de aprender. Seu conteúdo, porém, deve levar em conta também o professor, a quem cabe aplicá-lo. Muitos documentos curriculares são herméticos, extremamente acadêmicos, com uma linguagem distante da rotina escolar. Por isso, todo esse debate deve resultar em um documento claro e objetivo, para que o resultado esperado ? melhorar a educação do País em todos os níveis ? possa se concretizar.