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Opinião

O REFLEXO DA EDUCA��O DOS PAIS NA EDUCA��O DOS FILHOS

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Quando penso na função de uma escola pública de tempo integral sempre imagino o que faz a criança durante oito horas na escola. Já ouvi muitas respostas como: uma atividade cultural, esporte, reforço escolar ou um curso profissionalizante. A ideia não é nova e existem inúmeros casos de sucesso de escolas profissionalizantes de dois turnos. No entanto, nos tempos atuais, sobretudo com o dinheiro para a educação cada vez mais escasso, as escolas de tempo integral devem ser bem mais do uma forma de tirar o tempo livre para ir para as ruas e se meter em encrencas. Se não há uma programação de atividades que justifique ficar com a criança no outro expediente é melhor liberá-la. Muita gente atribui a nova geração de crianças e jovens, nascida no século XXI, o desleixo, a indiferença pelos estudos, o mau comportamento, o desrespeito aos professores e até a violência. Diria sem nenhum receio de errar que não são as crianças nem os jovens, mas os pais os responsáveis por essa desordem que permeia a maioria das escolas, nesse Brasil imenso, onde o respeito e a disciplina foram esquecidos. O que são os professores para os alunos se os pais não os consideram? O que é a escola para os pais se eles não comparecem às reuniões escolares, não se interessam pelos filhos e nem conhecem os seus professores? Como pode o aluno ser o único elo entre a escola e os pais? A escola hoje é coercitiva. A maioria dos pais matriculam os filhos para não perderem o Bolsa Família, porém não estão comprometidos com a educação do filho. Vão à escola novamente, apenas quando precisam comprovar que o filho está matriculado. Caso acabe o benefício, as escolas ficarão vazias. Então, antes de se pensar em tempo integral, é preciso trazer o aluno para a sala de aula. Porque não falta quem critique o governo dizendo que existe carência de escolas e professores. Mas não se verifica que a maioria das escolas têm salas com um terço ou menos de sua capacidade, porque simplesmente, os alunos não comparecem às aulas. Estes que não vão à escola têm a cumplicidade dos pais. Na verdade são esses pais que os governos precisam conhecer. Não simplesmente na lista do bolsa família, mas, num trabalho social com as comunidades, reunindo, debatendo o problema, interagindo, criando mecanismos de mudanças e conhecendo este público de perto. A educação se faz na família, quem não tem não dá, nem com a melhor escola do mundo.

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