Opinião
NIVALDO SOARES DE VASCONCELOS
Acabara de chegar à Santa Casa de Misericórdia de Maceió com meu filho Marcos, vez que este está escrevendo um livro sobre a instituição, quando nos aparece o doutor Silvio Mélo, gestor de pessoal: ?Conhecem o ex-prefeito de Viçosa Nivaldo? Ele está internado aqui desde ontem?. Respondemos afirmativamente e de logo rumamos para o apartamento. No corredor, encontramos sua filha, a doutora Flávia, que nos levou até o pai. Junto da esposa e do genro, vimo-lo com bom aspecto, a sorrir. O assunto? Não poderia ser outro, senão política: quem são os possíveis candidatos no torrão natal e a situação caótica por que passa a Nação. Falamos de tudo e de todos, menos de doença, pois quem está enfermo não toca neste tema. No sábado, dezenove, estava em minha casa, em Maceió, quando meu filho Caio chega para mim: ?Pai, o seu Nivaldo faleceu; está aqui na Internet?. Deu-me uma tristeza; pensativo, conversei comigo mesmo: ?Vou ao seu sepultamento e lá pronunciarei algumas palavras?. Casado com dona Zuleide Tenório, filho de meu antigo professor de matemática, o dentista doutor Manoel Firmino Teixeira de Vasconcelos, igualmente ex-prefeito viçosense (1947-51), e dona Dasdores, teve vários irmãos. Seu esporte predileto era caçar. Lembro-me de quando cursava o ginásio e morava na mesma via pública que seu Nivaldo. Às sextas, após as dezesseis horas, havia aquele movimento danado na rua do Calçamento: cavalos, cachorros, espingardas, a azuladinha; eram os caçadores de tatus e pacas oriundos das fazendas das redondezas de Viçosa (o Renato Bahia, o Zé Aprígio Vilela, o sargento Rebelo, o sapateiro Nana com sua pança enorme de tanto comer e beber e levar uma vida sedentária a consertar calçados e colocar meias-solas...). E o seu Nivaldo sempre assim: ?bora, cumpade; vamo, cumpade, tá na hora da caçada?. Só voltavam no domingo pela noite, e era a mesma latomia, e felicidade dos homens, a gozar a vida em sua plenitude pelo esporte divertido; não existiam Ibama nem responsabilização ambiental. Porém na segunda-feira, logo pelas seis e trinta da manhã, seu Nivaldo já se encontrava a caminho do Banco do Brasil, todo paramentado, barba feita para enfrentar o batente, tal qual o fez até a aposentadoria. Eleito prefeito de Viçosa com uma votação expressiva, governou entre 1989 e 1992, tendo como seu homem de confiança o secretário de administração José Francisco Tenório, que muito o ajudou a colocar em ordem as finanças do município. Construiu o conjunto residencial Frei Damião, com mais de duzentas casas, posto de saúde, pavimentação, energia e abastecimento; o maior complexo educacional da cidade, batizado em homenagem a seu pai, no Mutirão Cidade de Deus; o parque de cavalhada folclorista Sinfrônio dos Passos Vilela e tantos outros empreendimentos sociais, visando sempre o bem da comunidade e não o caminho da perseguição nem o do desgoverno. Tornam-se mais pobres as nossas Alagoas com o seu desaparecimento.