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Apelo ao bom senso

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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras entidades, como o Instituto dos Advogados Brasileiros, assinaram, na sexta-feira, a Conclamação Dirigida ao Povo Brasileiro, mensagem na qual exortam a busca permanente de solução pacífica para a crise por que passa o País. No texto, as entidades conclamam cidadãos, comunidades, partidos políticos e entidades da sociedade civil organizada a fazer sua parte e cooperar para esse mesmo fim, adotando, em suas manifestações, a busca permanente de soluções pacíficas e o repúdio a qualquer forma de violência. No documento, a CNBB afirma que as graves dificuldades institucionais, econômicas e sociais da atual conjuntura nacional geram inquietação e incertezas quanto ao futuro, mas ressalta que nenhuma crise, por mais séria que seja, pode ter adequada solução fora dos cânones constitucionais e legais em decorrência do primado do Direito. Além disso, considera que as divergências naturais, numa sociedade plural como a brasileira, só devem ser resolvidas preservando-se o respeito mútuo, em virtude da dignidade humana. Para as entidades, sejam quais forem os grupos políticos, suas convicções e valores não devem ser colocados acima dos interesses gerais do bem comum do Estado, que tem o dever de priorizar os grupos mais vulneráveis da população. O alerta da CNBB é oportuno num momento em que o Brasil vive um período tenso de sua história, marcado pelo radicalismo e pela intolerância. Apoiadores e opositores do atual governo travam uma batalha que, por enquanto, por sorte, tem sido travada mais no campo verbal, principalmente nas redes sociais. Nesse espaço virtual, pratica-se definitivamente uma guerra suja. Há pouca discussão séria e muito bate-boca. Um comportamento típico de torcidas organizadas. O pior é que a intolerância já está se refletindo no mundo real. Na semana passada, a imprensa noticiou o caso de uma pediatra que se recusou a continuar atendendo uma criança porque a mãe do bebê era militante de um determinado partido político. O radicalismo é uma ferramenta perigosa, e a intolerância política pode ser o primeiro passo para que a sociedade legitime atos bárbaros motivados por discriminação religiosa e sexual, por exemplo. Além disso, todo radicalismo é a porta de entrada para regimes ditatoriais ? tanto de direita quanto de esquerda.

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