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Opinião

Esperan�a e bom senso

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Está marcada para hoje audiência conjunta interativa das comissões de Assuntos Sociais, de Ciência e Tecnologia (CCT) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado para debater com autoridades e pesquisadores os resultados obtidos até agora pelo grupo de trabalho criado pelo Ministério da Saúde com o objetivo de definir as etapas para o desenvolvimento clínico da fosfoetanolamina, substância conhecida como a ?pílula do câncer?. Em março, o Congresso aprovou um projeto que permite a produção e o uso da fosfoetanolamina sintética, mesmo antes da aprovação pela Anvisa. Enquanto pacientes que depositam esperança na nova droga comemoram, especialistas dizem que a decisão foi mais um caso em que a política passou por cima da ciência e do bom senso. A fosfoetanolamina gerou controvérsia após a distribuição ter sido aprovada, por decisão judicial, para alguns pacientes em tratamento contra o câncer. Entretanto, não existem, até o momento, estudos científicos que comprovem a eficácia e a segurança no uso dessa substância. Por outro lado, têm sido divulgados testemunhos de pacientes que passaram pelo tratamento com a substância e que se confessam curados ou com grande melhora. Daí por que a liberação vinha sendo tão aguardada pelos milhares de pessoas que sofrem com câncer. Pesquisas sobre o medicamento vêm sendo feitas pelo Instituto de Química de São Carlos, da USP há cerca de 20 anos. O órgão fazia sua distribuição de forma gratuita. Defensores da distribuição da pílula denunciam a existência de um monopólio das indústrias farmacêuticas que impede o desenvolvimento de curas para a doença. Além disso, lembram que cerca de 20% de todo o orçamento do SUS é empregado no combate à doença. De fato, o câncer é um dos principais negócios no setor de saúde. Estudo de 2015 do instituto americano IMS Heath apontou gastos mundiais superiores a U$$ 100 bilhões por ano apenas na compra de remédios contra a doença. Polêmica à parte, a discussão deve servir para que sejam feitos estudos mais aprofundados sobre a ação da fosfoetanolamina. É natural a ansiedade daqueles que enfrentam a doença diante de novos produtos que parecem oferecer-lhes uma nova chance. Entretanto, não se pode abrir mão de pesquisas sérias e isentas para que não esteja sendo vendida uma falsa esperança.

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