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Opinião

Mundo sem paz

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MILTON HÊNIO * Quando eu vi as Torres Gêmeas do World Trade Center desmoronarem atingidas por pilotos suicidas, com tristeza percebi que a humanidade estava dando um passo para trás. Como eu, milhões de pessoas no mundo ficaram convictas de que a paz tão desejada por todos nós é muito difícil de ser conquistada. Os homens não se entendem. A impressão que temos é que o mundo enlouqueceu. Aqui entre nós, no nosso Nordeste e no Brasil é de estarrecer o número de assassinatos. Segundo estudos da Cadeira de Medicina Legal da Universidade de São Paulo, atualmente 70% das mortes naquele Estado são antinaturais: seqüestros, assassinatos, desastres de carro, motos, suicídios e etc. O que podemos afirmar é que no passado a questão da violência entre nós não era pública e sim privada, ou seja, dentro das famílias, entre os políticos, entre os vizinhos, etc. Hoje não, todos nós somos vítimas. Na esfera mundial vemos que há uma luta constante pelo poder, um ódio sem fim entre judeus e palestinos, disputa por petróleo, terras e por aí vai. Bush agora quer mais violência, quer porque quer destruir Saddam Hussein alegando uma guerra preventiva. Saddam e Bin Laden, cheios de ódio, respondem que vão quebrar Bush pelas costas, usando seus homem-bomba para enlouquecer os americanos. E assim a violência não tem fim. Lembro-me de Gandhi, quando no início do turbilhão de conflitos entre os governantes do mundo, que dizia: ?O problema central é como vencer o ódio com amor e como transmitir o amor aos outros?. E isso é complicado atualmente. Na minha área, vemos que a relação entre medicina e violência é direta, sem intermediários. O médico plantonista em todas as grandes e pequenas capitais do Brasil anda assustado com o volumoso número de pacientes que chegam a todo instante vítimas de agressões. Somente a paz, solidificada por um diálogo que começa na cotidianidade, que atravessa as estruturas políticas, econômicas e sociais e que aceita globalizar-se, poderá trazer solução para os problemas dos homens e dos povos, por mais severos que eles sejam. Vivemos num planeta permeado por conflitos. Mas o conflito pode também levar a mover saídas para os problemas. A paz não é apenas ausência de violência. A paz existe onde existe reconciliação, substanciada de justiça, verdade e misericórdia. Enquanto a humanidade vive o esplendor das grandes conquistas materiais, enquanto os cientistas trabalham sem descanso no silêncio dos seus laboratórios procurando novas formas de combate aos micróbios, tentando, assim, prolongar a vida do homem na terra, enquanto uma legião de pessoas que têm Deus no coração, como fazia Madre Tereza de Calcutá, procuram dar as mãos aos aflitos, existe outra legião de pessoas cheias de ódio, psicopatas, endemoniadas, que procuram levar o desespero, a desarmonia, tirando a paz das pessoas. É um paradoxo; essa é a vida do nosso mundo. Vamos esperar que os homens entendam que todos somos irmãos e que só a fraternidade pode libertá-lo dos vínculos que o aprisionam. (*) É MÉDICO

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