Opinião
Uma quest�o de investimento
Nos últimos anos, o Brasil tem investido em média 2,28% do PIB em infraestrutura. Para especialistas, é muito pouco, pois o ideal seria investir pelo menos 3%. Para modernizar nossa infraestrutura, seriam necessárias duas décadas de investimentos entre 5% e 6% do PIB. Ou seja, no mínimo duas vezes e meia mais do que nós estamos investindo hoje. Não é uma meta fácil de atingir, mas outros países conseguiram. Ainda no segundo mandato do presidente Lula, foi lançado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que visava à retomada do planejamento e execução de grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética do País. Não há dúvidas de que o programa contribuiu para o aumento da oferta de empregos e na geração de renda, e elevou o investimento público e privado em obras fundamentais. Além disso, foi importante para o País durante a crise financeira mundial entre 2008 e 2009. Mantido no governo Dilma, entretanto, o PAC vem sendo objeto de ajuste fiscal, com a redução dos investimentos. A participação do programa no PIB caiu de 5,28% no período 2011-2014 para 4,26% no ano passado. Como forma de impulsionar o crescimento econômico do País, economistas defendem não apenas mais investimentos em infraestrutura, mas também a otimização dos gastos públicos. Não é possível atender às necessidades sociais da população sem investimento em mobilidade urbana, energia, comunicações, petróleo e gás e logística. Não basta apenas disponibilizar os recursos, mas aplicá-los de forma eficiente, evitando a corrupção e o desperdício. Uma das saídas é fortalecer as parcerias entre os setores público e privado. A infraestrutura é um dos poucos setores em que as duas esferas podem ser combinadas, com ganhos de produtividade. No momento, entretanto, vemos a crise política contaminando fortemente o ambiente econômico, e não é possível pensar numa saída para o momento difícil da economia brasileira sem a pacificação das relações entre o Planalto e o Congresso. Caso a situação política se normalize e o governo ? seja ele qual for ? conseguir apoio no Parlamento para fazer as reformas necessárias, o cenário pode melhorar. Do contrário, se a incerteza se prolongar, com a inoperância e a incapacidade de o governo tomar medidas mais estruturais, a situação tende a ficar insustentável.