Opinião
SER BANANAZEIRO!
Ser bananazeiro é gostar de um lugarzinho do Estado de Alagoas, no município de Viçosa, que tem tradição e nome. Berço de pessoas ilustres: Quintiliano, Neco Vital, Gregório, Cícero de Vasconcelos, João Vasconcelos, Izidro, Jonas, Neco Leite, Chico Leite, Jaime Victal, Hilca Pimentel e muitos outros. Ser bananazeiro é cultuar o passado do lugar e conservar sua memória. É contar sua história em livros. É preservar as centenárias Igrejinha e a Casa-Grande. É expor as peças antigas que lembram a memória da família no Museu do Bananal. Ser bananazeiro é receber bem os parentes quer de perto, quer de longe que vêm visitar o povoado. Chegam dizendo assim: ?Eu nasci nessa casa?, ?meus pais nasceram aqui?. É também trazer para o aconchego da família os amigos que, nos visitando pela primeira vez, fazem questão de voltar, voltar e voltar. Tornam-se ?habitués?. Ser bananazeiro é ir sempre ao Bananal, sentar-se ali na calçada da casa-grande para ouvir dos parentes mais idosos as histórias dos antepassados e de como era o antigo Engenho Bananal. É também ouvir de José Celso seus projetos de futuro, para daqui a 20, 50, 1000 anos. ?Esse menino está doido?, diz minha prima Maria Ilza. Ser bananazeiro é gostar de um pif-paf, de formar uma grande mesa na casa de nossa saudosa tia Hilca. Ganhar ou perder, não importa, o que vale é estar ali, jogando e se deliciando com o ambiente familiar. Ser bananazeiro é ser parente de Chico Leite, nosso maior trovador. É se lembrar de tio Vicente, de João e de Zenor. É recordar Antônio Pimentel, Tio Eloi, Joel, Jaime, Gutemberg, Leandra e muitos outros que já se foram. Ser bananazeiro é aguentar o som estridente e alto, de manhã até a noite, da rapaziada mais nova e pensar que outras safras virão. Os mais velhos que suportem. E perguntar: será que vão mudar? Ser bananazeiro é ser hospitaleiro nos encontros das famílias que trazem todos os descendentes do antigo Engenho Bananal para sua festa anual. Ser bananazeiro é ser uma grande estirpe, é viver o tempo presente, fazer planos para o futuro, sem esquecer o passado. Ser bananazeiro é uma condição de vida. É estar cada vez mais orgulhoso com o seu torrão natal: ?o Bananal dos meus avós?, ?o país do Bananal?. Ser bananazeiro é ver cada vez mais os parentes sentirem-se uma grande família, não importa se com o sobrenome Passos, Leite, Santos, Vital, Vasconcelos, Pimentel, Barbosa, Vieira, Godoi, Murta, Torres, Vilela, Barros, Ferreira, Nobre e muitos outros. Ser bananazeiro é ver a criançada da 7ª e 8ª geração do Bananal brincar despreocupadamente pelo povoado; pais e avós observando-os com a certeza de que eles darão continuidade às tradições de uma família que está ali no povoado desde 1853. Ser bananazeiro é saber que somos uma família singular. Que nosso exemplo ? isso fazemos questão de divulgar ? será multiplicado. Por isso, com muito orgulho, de mãos dadas, sempre bradamos: Somos bananazeiros!!! Viva o bananal!!!