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MACEI�, CIDADE PARTIDA

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Maceió foi e continua sendo, em seus extratos populacionais, uma cidade partida, marcada por uma profunda divisão entre os habitantes que moram nas áreas nobres da cidade e os que sobrevivem nos bolsões de miséria que caracterizam as suas periferias. Isto porque existem duas Maceiós em uma só cidade. Realidades diametralmente opostas, que referenciam as profundas diferenças sociais, econômicas e urbanas da nossa bela capital. Essas contradições têm origem na ordem de prioridade do poder público municipal, com discrepâncias gritantes dos investimentos dos recursos orçamentários do município. Podemos afirmar que Maceió é, sim, uma cidade partida, existindo uma para os que moram na orla e outra para os que moram nas grotas. Uma para os que residem nos bairros de classe média da cidade alta e outra moradora dos bairros populares e abandonados do Benedito Bentes e do Jacintinho. Temos uma Maceió daqueles que habitam os condomínios de luxo do Tabuleiro dos Martins e outra completamente diversa dos que vivem nos morros, favelas ou na orla da Lagoa do Mundaú. Maceió completou 200 anos de sua fundação em 2015, data que revela um equívoco histórico dos que a governam, pois o primórdio da nossa urbe é bem mais antigo do que o dia oficial do cinco de dezembro de 1815. Considerando, entretanto, o ano de 1815 como marco fundador da cidade, podemos afirmar que são 200 anos de sucessivos governos da elite política à frente da prefeitura da cidade. Os problemas que afligem a população mais empobrecida da sociedade maceioense continuam os mesmos. Excetuaria os governos populista de Sandoval Caju (61/64) e popular do prefeito Fernando Collor (79/82), que tiveram um olhar voltado para a periferia. Fica, portanto, a pergunta no ar: quem nada fez em 200 anos para melhorar as condições dos que moram do lado esquecido da cidade partida, possui credibilidade para dizer que vai resolver a difícil situação dos excluídos e esquecidos pelo poder público, nos próximos quatro anos? Quem não fez em 200 anos, não fará nos próximos quatro. Enquanto não tivermos governos comprometidos com a integração geopolítica dos bairros da cidade, dificilmente teremos as contradições do nosso povo devidamente equacionadas. A saída para a construção de uma cidade mais justa socialmente, igualitária economicamente e integrada urbanisticamente, só será possível pela nova política. Enquanto não priorizamos a política em nossas vidas, estaremos sendo castigados por aqueles governantes que se interessam por ela.

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