Opinião
OU DINHEIRO, OU CHUMBO
As organizações criminosas têm suas próprias leis para serem cumpridas doa em quem doer, custe o que custar. No código que regula as facções não há artigo em que se leia a palavra ?perdão?. O preço pelo erro ou traição é um só: condenado. Inspirado no Al Capone dos anos 20 e 30 quando o Congresso Americano aprovou a Lei Seca, proibindo a fabricação de cerveja e a destilação e distribuição de bebidas alcoólicas, o colombiano Pablo Escobar, o ?Dom Pablito? ou ?El Patron?, como também era ?venerado?, transformou-se no mais poderoso narcotraficante que o mundo já conheceu no século vinte. Fundou o Cartel de Medellín e em seu nome praticou barbáries que até Deus deve ter duvidado que o ser humano por Ele criado fosse capaz de tanta crueldade. O poder das forças armadas do seu país e a polícia de inteligência dos EUA foram insuficientes para deter a fúria do bandido. Três candidatos à presidência da república, ministro da justiça, juízes, advogados, jornalistas, menores após serem por ele estupradas, desafetos e milhares de inocentes tiveram seus corpos perfurados pelas balas das modernas metralhadoras e explosões de bombas, inclusive no departamento de polícia. A ele são atribuídas mais de seis mil mortes e uma fortuna acumulada equivalente a US$ 13 bilhões, resultados do tráfico de cocaína e outros baixos golpes contra os próprios parceiros do crime. Para galgar o poder absoluto no mundo do narcotráfico, o gangster tinha qualidades específicas, marca comum aos perigosos líderes, chefes de quadrilha. Hábil e inteligente corrompia fácil a presa que lhe conviesse. Do soldado raso ao coronel, do simples vereador ao mais alto clero do Congresso Nacional da Colômbia, poucos resistiam à sedução dos dólares e às ameaças de chumbo caso recusassem o suborno. A propina era a lei que abria todas as portas de saída da droga para o mundo, inclusive para as constantes mudanças de medidas provisórias junto ao parlamento, evitando com isso a extradição dos criminosos do tráfico para os Estados Unidos. Além de incurável arrogância, o chefe mentia descaradamente e tinha um sonho: ser presidente da república. Considerava-se perseguido pelos invejosos, elites e poderosos do seu país e dos americanos. Com seu estilo falante e convincente, negava despudoradamente a prática dos crimes incontáveis cometidos. Tão cínico era na negação das suas artimanhas que surpreendia até aos sócios de bandidagem e à própria família. Pablo Escobar responsabilizava a grande imprensa colombiana pelas ?falsas? denúncias contra a sua imagem de criminoso e terrorista. O ódio pela mídia foi além da tolerância, ao autorizar o assassinato do jornalista Guilhermo Cano Izaca, editor do mais importante periódico do país. Fracassado na tentativa de silenciar o jornal, terminou bombardeando as instalações do El Espectador com uma grande quantidade de explosivos.