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VIT�RIA DE PIRRO

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As diversas fases da Operação Lava Jato tiveram, por vezes, nomes inusitados e instigantes, como ?my way?, ?erga omnes?, ?pixuleco?, ?nessum dorma?, mas o batismo recente mostrou-se profético: ?vitória de Pirro?. O termo remete a Pirro, rei do Épiro e da Macedônia, que governou por volta de 300 a.C. e que se tornou famoso por infligir derrotas aos romanos. Após vitória na batalha de Asculum, teria dito aos seus generais: ?Mais uma vitória como esta e estarei perdido!?. Pirro venceu, mas seu exército ficou em frangalhos e ele não tinha como recrutar novas tropas. Os romanos, ao contrário, dispunham de homens em profusão e não se abalavam diante de revezes. O rei Macedônico acabou capitulando ao perceber que não conseguiria derrotar definitivamente Roma. O sacrifício de seus homens não justificava as batalhas ganhas nem a glória efêmera. A história de Pirro acabou atravessando os séculos e encontrando eco em diversos momentos da história. Hitler decidiu invadir a Rússia em 1941 com 4,5 milhões de soldados e poderio bélico incomparável, durante a Segunda Guerra Mundial. Diante da ofensiva alemã, Joseph Stalin determinou que cidades, casas e plantações deveriam ser destruídas ou queimadas para evitar que os inimigos se instalassem na Rússia. Os alemães encontraram uma terra arrasada e tiveram uma vitória de Pirro, já que se viram obrigados a enfrentar o inverno russo sem recursos, sem logística: conquistaram o nada. O Brasil vive um momento crucial e dramático. Nunca o País esteve tão dividido. As discussões opõem famílias, separam amigos, conflitam antigos aliados e perpassam um ódio sem limites. O Congresso Nacional reflete o que vive a Nação. Somos a caixa de ressonância de uma sociedade angustiada e que quer pôr fim a essa novela que se arrasta há meses. Mas o que resultará disso tudo? Qualquer que seja o lado vencedor no processo de abertura impeachment determinado para o final de semana, a comemoração evocará Pirro. O Brasil está em frangalhos, mergulhado numa profunda crise política e econômica. Estamos sacrificando almas para vencer uma batalha que pode ou não significar o fim da guerra. Cabe, agora, há poucas horas, por assim dizer, de determinar que futuro queremos para o Brasil, um momento de reflexão em busca de paz e concórdia. Alguns países passaram por crises semelhantes, com divisões abissais, mas conseguiram se soerguer e seguir em frente. Precisamos pensar e agir assim pelo bem das gerações futuras.

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