Opinião
INCOER�NCIA E IRRESPONSABILIDADE
Conversando com um professor da UFAL, em atividade há 36 anos ? já poderia se aposentar, mas ama o que faz e a idade permite ? confessou-me sua preocupação com a economia do País, quando disse que adiaria seus planos de trocar o carro e fazer uma pequena reforma em sua residência. Não se sente seguro de que receberá seus vencimentos em dia por mais algum tempo. Tem visto os cortes de verba na sua Universidade. Responsabilidade e coerência. Enquanto isso, vejo diariamente, ao vivo ou pela imprensa, as mesmas centrais sindicais que fazem coro ao falso ?não vai ter golpe?, pressionando, em ano de eleição, governos estaduais e municipais a atenderem reivindicações de seus servidores por aumento salarial. Irresponsabilidade e incoerência. Estados e municípios sempre viveram de repasses do governo central em proporções consideráveis e, diante dos desastres administrativos do Planalto Central, estão cada dia mais com seus chapéus nas mãos a mendigar por migalhas que sobrem da farra e da incompetência daquele poder. Quando se fala em ajuste fiscal e reforma da previdência, as centrais entram em pânico. Cooptando o poder e suas benesses não irão jamais contra seus caciques. Não importa a debacle que se espalha sobre todo o sistema produtivo da Nação, responsável pela arrecadação do Estado. O que importa é o poder. E, como propagadores da mentira, atacam a imprensa ?golpista? que lhes mostra a verdade. A mesma coisa tem feito a presidente da República. A Revista IstoÉ desta semana revela os ataques de nervos quando se lhe apresentam os jornais e revistas, jogando todos ao chão. Preparam um resumo dos mais simpáticos para a madame. No seu isolamento da realidade brasileira, pois só se cerca daqueles que tramam de toda forma sua continuidade, com discursos os mais inflamados e incitantes da violência dentro do próprio Palácio do Planalto, esquece que quem deveria estar em pânico seriam todos os 90% que não aprovam seu governo e sofrem pelos seus desmandos. Seriam, como traz a Veja, a Angélica Antunes, 31 anos, e seu marido que perderam o emprego há um ano, com três filhos pequenos. Juntos ganhavam R$ 4.500,00 submetendo-se a trabalhar de diarista quando seu último emprego foi de operadora de cobrança. Como o sr. Domingos Pereira, 53 anos, que trabalhava em duas empresas, como segurança. Há dois meses uma delas o dispensou. Saiu de R$ 4.000,00 para R$ 1.700,00 atrasando compromissos inclusive do curso da filha de 16 anos. E tantos e tantos outros que vêm sofrendo as agruras que este desgoverno teima em perpetrar com incoerência e irresponsabilidade.