Opinião
Para al�m do impeachment
As atenções do País hoje se voltam para a capital federal, mais especificamente para o plenário da Câmara dos Deputados. Lá, por meio de voto aberto, os parlamentares vão declarar se são contra ou a favor do pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade. Nas últimas semanas, o tema tem provocado debates de baixíssimo nível, sobretudo no mundo virtual, nos quais os argumentos são substituídos por acusações e xingamentos tanto por parte daqueles que defendem o impeachment, quanto dos que são contrários, ou, usando os termos da moda, os coxinhas e os petralhas. A sessão de hoje será um espetáculo midiático, transmitido ao vivo pelas principais redes de TV. Aproveitando-se dos holofotes, muitos parlamentares enfeitarão seus votos com frases de efeito em defesa da pátria, da moral e dos bons costumes. Como notificado pela imprensa, alguns deles levaram suas famílias a Brasília incluindo esposas, filhos e até sogra, como se fosse uma final de Copa do Mundo. Apesar de os dois lados anunciarem que têm votos suficientes para aprovar ou barrar o impeachment, o resultado da votação ainda é uma incógnita. Até a última hora haverá conversas de bastidores que poderão influir no placar. Apesar de a acusação contra Dilma estar baseada em manobras fiscais irregulares, as chamadas ?pedaladas, é bom lembrar que o processo de impeachment é eminentemente político. Chama a atenção, por exemplo, a rapidez com que a comissão especial criado para analisar o caso concluiu seus trabalho, graças ao empenho do presidente da Casa, Eduardo Cunha, desafeto da presidente. Seja qual for o desdobramento do caso, espera-se que a crise política seja superada para que o País possa voltar à normalidade. Só isso, porém, basta. A economia está em um momento de retração bastante grave para além da política. Caso sobreviva ao impeachment, Dilma terá de mudar os rumos de sua gestão, algo que não se sabe se terá condições de fazer. Temer, por sua vez, poderá ter alguma trégua no início, uma relação mais amena com o Congresso, mas também enfrentará um desafio colossal. Enquanto coxinhas e petralhas trocam acusações e patrocinam baixarias, o verdadeiro debate fica em segundo plano, lamentavelmente.