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Opinião

Batalha perdida

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No final da noite deste domingo, a maioria absoluta da Câmara dos Deputados votou favoravelmente à admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Derrota de Dilma, vitória do desafeto Eduardo Cunha, presidente da Câmara, que conseguiu concluir o processo num prazo recorde. Agora a batalha será travada no Senado. O resultado não pode ser considerado surpresa, dada a dificuldade do Planalto em lidar com o Congresso. Nos dias que antecederam a votação, entretanto, graças à ação do ex-presidente Lula, o governo parecia ter conseguido frear a onda crescente pró-impeachment. Na hora do vamos ver, porém, alguns votos dados como certos mudaram misteriosamente. O que chamou a atenção durante a longa e cansativa sessão de ontem foi o fato de que, na maioria das vezes, a justificativa do voto nada tinha a ver com a causa constitucional para o impeachment, que foram as ?pedaladas fiscais?. Num show de demagogia, deputados defenderam a destituição de Dilma pelas razões mais diversas: ?pela esposa?, ?pela filha que vai nascer e a sobrinha?, ?pelo neto?, ?pela minha família e meu estado?, ?por Deus?, ?pelos militares do 64?, ?pelos evangélicos?, ?pelo aniversário da minha cidade?, ?pela defesa do petróleo?, ?pelos agricultores? e até ?pelos corretores de seguros do Brasil?. Pouquíssimos se referiram ao suposto crime do qual Dilma é acusada. Também se ouviu com frequência o discurso contra a corrupção daqueles que votaram a favor do impeachment. Não deixa de ser ironia o fato de que boa parte dos parlamentares é alvo de acusações de delitos de corrupção. Isso mostra que o impeachment, como já ocorreu em outros momentos da história política brasileira, é um processo eminentemente político. Independentemente da acusação de crime de responsabilidade que embasou o pedido de impeachment, Dilma cometeu erros graves, que geraram uma combinação perversa de crise política e crise econômica. A Dilma e ao ex-presidente Lula, resta fazerem uma autocrítica para entender o que levou à situação atual, com a possibilidade cada vez mais concreta de encerramento do ciclo do PT no poder. Talvez a lição mais evidente seja a de que governabilidade não pode ser resultado de acordos a qualquer preço. Como se viu, na hora agá, a traição é inevitável.

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