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Opinião

Debate pobre

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Ainda sob o impacto da sessão realizada pela Câmara dos Deputados no último domingo, quando a maioria dos parlamentares votou a favor da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, muitos cidadãos ainda estão assustados com o baixo nível das discussões no Parlamento brasileiro. Apesar de estar em pauta uma questão seriíssima, que envolve os destinos do País, o cenário mais parecia um estádio de futebol em final de campeonato. Não faltaram gritos, empurrões, cantorias, chuva de papel picado e até uma cuspida. Para muitos brasileiros, desacostumados em acompanhar os bastidores do poder ? apesar dos instrumentos disponíveis atualmente, como a TV e a internet ?, foi um choque conhecer o Parlamento, ao vivo e em cores. O que se viu foram parlamentares que têm poucas oportunidades de aparecer na mídia nacional aproveitarem seus 30 segundos de fama. Nas justificativas de voto, poucos se detiveram na questão do crime de responsabilidade, acusação que deu origem ao processo. A maioria dedicou os votos às suas famílias, a Deus, aos evangélicos, aos cristãos, aos prefeitos de suas cidades e correligionários, a seus colegas de profissão e até à paz em Jerusalém. Um deles, figura polêmica, causou espanto ao homenagear um dos mais cruéis torturadores do regime militar. Tudo isso parece reproduzir o que se vê também nas ruas e nas redes sociais. Perderam qualidade, transformando-se em brigas de torcidas. Os argumentos foram substituídos por acusações e xingamentos, de ambos os lados. Essa polarização é perigosa porque está sendo construída com base em sentimentos. Adere-se a uma visão de grupo que está pronta e não se permitem visões intermediárias. Tudo isso mostra a necessidade urgente de uma reforma política que possa fortalecer os partidos e enriquecer o debate democrático. É preciso rever questões como as coligações partidárias nas eleições proporcionais, os altos custos das campanhas eleitorais e a excessiva fragmentação do quadro partidário. Pouco adianta mudar presidentes, ministros ou congressistas sem antes se revisar o mecanismo de eleições, para impedir que cheguem ao poder pessoas que se mostram incapazes de analisar a realidade da sociedade na qual vivem e de dar o exemplo de decência.

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