Opinião
Realidade nova
DOM FERNANDO IÓRIO q Quando a ONU, em 1982, declarava ser aquele o Ano Internacional do Idoso e promovia, em Viena, uma conferência mundial para tratar do problema dos idoso, estava assinalando que se encontrava a humanidade diante de uma realidade nova e, por demais, complexa. Buscava-se, de certa maneira, ampliar a consciência do mundo para o fato de que, em todos os países, crescia o número de anciãos, a exigir novas soluções para inumeráveis problemas sociais, econômicos e políticos que iriam surgir. Agora, houve por bem a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tratar do Idoso na Campanha da Fraternidade de 2003. Quer a CNBB, antes de tudo, apresentar a chamada Terceira Idade como um valor em si mesmo, por causa da dignidade da vida que se prolonga. Ela é portadora de peculiares talentos, graças ao patrimônio de experiências, conhecimentos e ensinamentos dos quais é o idoso guardião. Estou em que pessoa alguma pode negar seja, em todas as culturas, o ancião sinônimo de sabedoria e equilíbrio. Com sua presença, a pessoa idosa recorda, mormente aos jovens, que a vida, na terra, constitui belíssima parábola, com seu início e seu fim, visando a alcançar a sua plenitude, com o cultivo de valores, não efêmeros, nem superficiais, mas sólidos e profundos. Seja como for, prevê a sociedade futura abrir maiores e inumeráveis possibilidades para as atividades espirituais e lúdicas, vez que a progressiva tecnologia vai substituindo o trabalho braçal. Os anciãos, mais que ninguém, poderão ocupar papel preponderante em atividades espirituais, usando de suas experiências e sabedoria que só o tempo pode ensinar. Sem a premência do tempo e já com a subsistência garantida, poderão consagrar seu tempo e atividades para si mesmos e para os outros. De certo, tal horizonte esperançoso implica profunda mudança psicocultural das pessoas capazes de influenciar nas estruturas sociais. É fora de dúvida que só um País, alicerçado na justiça e no respeito a todas as faixas etárias, poderá promover um futuro tranqüilo e feliz para os anciãos. A própria comunidade deve oferecer aos idosos o papel de sujeitos religiosos de suas vidas e não, apenas, de objetos de cuidados assistenciais, criando para eles possibilidades de socialização e convivência ativa, para que sintam auto-estima, não como mortais que findam, senão como imortais que começam. É a realidade nova do prolongar da vida com que me deparo, a exigir uma nova maneira de agir. (q) é bispo de Palmeira dos Índios