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Opinião

FAXINA SEM REMUNERA��O

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De vez em quando, inesperadamente, vasculhamos a nossa memória, como se fizéssemos um amplo asseio numa mansão gigantesca, onde acumulamos tesouros ou entulhos, de fácil ou difícil recuperação. As vassouras e esfregões agem de forma automática, invisível, movidos por uma potente eletricidade, sem controle remoto, sem a mínima tecnologia. Ao longo da vida, no passado, lançamos joias e miçangas, objetos valiosos e metralhas, todos a serem recolhidos ou exonerados, nos momentos propícios de lucidez ou obscuridade. E, como se fosse uma roda gigante, um moinho rústico e devorador, tudo se desgasta ou se aloja num local somente nosso, inteiramente nosso. À semelhança dos fenômenos da natureza, nascem e se põem, atravessando linhas imaginárias em compassos contíguos. Vamos imprimindo ou desconectando o que nos satisfaz ou simplesmente entristeceu ou escandalizou! Muitos, impossibilitados de executar um polimento profundo no seu interior, o fazem de raspão ou deixam que as teias de aranha e outros insetos absorvam os cuidados e a ordem do seu eu, sua residência particular e única. Daí, uma série de males os atinge, como angústia, depressão, tristeza e a completa possibilidade de viver a vida, em sua total plenitude! Nada se repete. Momentos desiguais vão sucedendo automaticamente, num sistema de inteira disponibilidade. Somos agraciados por meio de prêmios e castigos, muitas vezes imerecidos, mas, se aprendermos a olhar para o alto, veremos que um dia a recompensa despontará pelo bem ou o mal que praticamos. Seria de total importância aprendermos, desde cedo, a buscar forças para varrermos o nosso interior, jogarmos o lixo imprestável muito distante do nosso convívio, muito além do espaço em que circulamos utilizarmos de extrema simplicidade para conservarmos a aparência da nossa alma, às vezes, tão bela e tão pura como se fossemos crianças eternamente! Aqueles que acumulam mágoas, ressentimentos, simulam vinganças, arquitetam planos para macular inocentes, exterminá-los, buscam o que não lhes pertence, são ladrões engomados, ocultos, por certo não aprenderam a fazer uma verdadeira faxina interior, mesmo sem a mínima remuneração! E, interrogo, deste alojamento em que escrevo, projetando entradas e saídas quase sempre inúteis, Irmão que se esqueceu de higienizar o seu interior ? Onde estará Deus ?

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