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TIA LEO E O “SENADINHO”

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Aquele sorriso constante cativava todos nós. Falávamos com ela e sempre recebíamos um afago. Era de uma simpatia incomum. Sempre estava sentada na sala ou na área, assistida pela filha Vitória. Casa sempre cheia, tanto pela manhã, como à tarde e à noite. O encontro com os parentes, para o bate-papo, era intitulado de senadinho, porque discutia-se todos os assuntos: problemas do povoado, da família, das condições do tempo, política, doença, velhice. Falava-se bem ou mal das pessoas, dava-se conselhos, recriminava-os. Os assuntos, todos compartilhados on-line pelo WhatsApp. Assim, as conversas e decisões eram também do conhecimento dos ausentes que podiam opinar na hora. A Leo, com seus 93 anos de idade, era o elo gerador desses encontros. Todos iam visitá-la e ficavam para conversar. Confesso que era um dos menos assíduos do ?senadinho? do Bananal da Viçosa, na casa de minha prima Vitória, porém ninguém havia de discordar que eu era um dos mais bem informados. Certo dia fui participar do ?conselho?, cheguei mais cedo. A casa estava quase vazia, apenas algumas pessoas na cozinha tomando café. Entrei na sala e fui logo dar um afago em Leonilda, nossa tia Leo. Recebi seu cativante sorriso e sentei-me numa cadeira, fiquei esperando os outros parentes chegarem para a hora habitual da reunião da noite, a mais demorada. Enquanto aguardava os parentes, fiquei olhando a fisionomia de Leo, ali, sentada, numa confortável cadeira. Voltei ao tempo, 50 anos atrás: Eu e meus dois primos, Chico e Yaldo, íamos à casa de Joel, também nosso primo, às sextas-feiras. Na época, ele e sua esposa Leonilda moravam em Maceió, na Rua Tamandaré, no Prado. Sentávamos na calçada. Joel e Chico tocavam canções romântica no violão. Os parentes iam chegando. A roda crescia. Às vezes mais de dez ouvintes. Leonilda, amável e solícita, participava de tudo. No verão, no período das férias escolares, a família de Joel e Leo mudava-se para o Bananal. Era a época em que chegavam Jaime, seu irmão, com Iracema e filhos, então as serenatas não tinham hora para acabar. Joel, aos 52 anos, foi acometido por um AVC e nossa boemia em sua casa, em Maceió, diminuiu. A Leo passou a se dedicar totalmente ao esposo, sempre auxiliada por sua filha Vitória. Nos últimos cinco anos, Leonilda passou a residir com a filha em Bananal. Foi então que o ?senadinho? reviveu. A Leo nessa época já apresentava sinais de demência; já estava em tratamento. O mal de Alzheimer foi minando sua memória, depois seus movimentos. Quem visitava sua casa pressentia que ela teimava em não nos deixar. Mesmo sem participar das conversas, era como se todas nossas atenções fossem voltadas para ela. Eram as crianças, os sobrinhos, os filhos ? Jair, Vitória e José Cícero ?, e todos os parentes que se preocupavam com sua saúde. No dia 16.03.2016 Leo nos deixou. Mas sua lembrança não será esquecida. Continuará conosco. Estamos certos de que sua alma, pura e santa, está no céu. Ela sempre será a santa do bananazeiro.

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