Opinião
Potencial a preservar
Ainda refletindo sobre a assinatura, na última sexta-feira, do Acordo de Paris, que prevê medidas para controlar o aquecimento global, vale lembrar que, nos últimos anos, o Brasil sempre vem sendo citado como um dos países mais bem preparados para cumprir os objetivos desse grande acordo internacional. Entre as vantagens comparativas do Brasil estão a disponibilidade de terra, de energia e de ambiente institucional, representado pela existência de um código florestal. Esses fatores, somados, propiciam uma combinação muito favorável de ?conservação e de produção?. O País já tem uma posição muito forte em etanol à base de cana-de-açúcar e também pode ser capaz de liderar o caminho em direção a outros biocombustíveis de segunda geração. E, de modo mais geral, o Brasil tem o potencial de liderar em várias tecnologias de energia limpa, como a eólica e a solar. Essas condições colocam o Brasil como uma liderança mundial, no que se refere à oferta de produtos com baixa utilização de carbono. No ano passado, o País assumiu compromisso, durante a COP-21, de reduzir em 43% as emissões de gases de efeito estufa até 2025 e zerar o desmatamento ilegal em 15 anos, além de restaurar 12 milhões de hectares de florestas, na Mata Atlântica e no Cerrado. A meta é ousada e há dúvidas de que possa ser alcançada, mas deve haver um esforço para atingi-la. Basta lembrar que, em dez anos, o Brasil conseguiu, por exemplo, reduzir em 82,5% o desmatamento ilegal. Entre 2005 e 2010, o Brasil reduziu 38,7% das emissões de gases de efeito estufa. Nesses anos em que houve diminuição do lançamento na atmosfera de gases poluentes, o País cresceu e reduziu a desigualdade. O caminho trilhado e a trajetória indicada para os anos seguintes, como o da emissão zero de gases poluentes até 2100, apontam para uma mudança na visão sobre desenvolvimento. Evidentemente, é preciso considerar, a partir de agora, a violenta desaceleração da economia registrada desde 2014. É plenamente possível o Brasil ser ambicioso em termos de redução de gases de efeitos estufa e é possível que o País seja encorajador e sirva de modelo para outros países. Entretanto, a contribuição brasileira para a mudança do clima será bem-sucedida se o governo e a sociedade forem ágeis na implementação das medidas.