Opinião
VI�OSA PRINCESA DA MATA
Relutava em escrever algo acerca do assunto que segue, a fim de evitar qualquer interpretação diferente, como se fora intervencionismo partidário. Em sendo apolítico, porém apenas um modesto operador do Direito, rendi-me aos insistentes apelos de conterrâneos, seja pelas redes sociais, seja por telefone ou pessoalmente, em encontros fortuitos. A decisão, enfim, foi tomada, depois que mantive conversa nesse sentido com o ilustre Agrônomo e Escritor Dr. Dênis Mello. Trata-se de registrar para conhecimento do grande público, através deste conceituado Jornal, de enorme tiragem diária, o descaso a que estão relegados, ao abandono, os históricos prédios da nossa estimada Viçosa, berço de renomados intelectuais, cientistas, educadores e homens públicos, a exemplo do velho Menestrel Theotônio Vilella. Os gestores, lamentavelmente, com raríssimas exceções, embora em certos casos mantenham nas estruturas administrativas de seus municípios, secretarias de Educação e Cultura e/ou órgãos assemelhados, não se empenham para que haja uma objetiva atividade da Pasta na concretização dos verdadeiros ideais de uma área sobremaneira importante . Refiro-me, apenas para exemplificar, sobre o deplorável estado em que se encontram o casarão que abrigou a memorável Escola Normal Rural ?Joaquim Diégues?, na qual concluí um curso técnico de alto valor e que me foi útil para os cursos superiores e profissão que abracei e desempenhei vitoriosamente, assim como inúmeros colegas de então. A acolhedora e histórica praça ?Apolinário Rebelo?, (apenas para citar dois exemplos), local onde a juventude de minha época e mesmo de subsequentes gerações (já com reduzida intensidade), se reunia aos fins de semana e, mais acentuadamente, nas Festas Natalinas, Emancipação Política e outros eventos importantes, para bate-papo e ?paqueras? gostosas e alentadoras. As mocinhas com suas indumentárias adequadas ao momento (diferentes das que hoje são usadas, mas de elevado bom gosto), desfilavam orgulhosamente ao redor da Praça, exibindo graça e beleza incomparáveis. Os rapazes (entre os quais me incluo, com muita honra e saudade), sempre ousados e atrevidos, ou aguardavam um leve aceno para uma incursão na intimidade, às vezes sem a devida correspondência ou, corajosamente, se aproximavam da ?vítima? balbuciando frases desconexas, expondo um romantismo de quarta categoria. Acolhido ou não na sua intempestiva investida, o bom, o real e o inusitado, restava por conta do prazer de participar, induvidosamente isento de qualquer maldade. Hoje, desoladamente e com imensa tristeza, não só a nossa Turma, mas também os que ainda ali habitam, reclamam do Poder Público imediata providência, porque administrar não significa somente criar cargos, secretarias e órgãos correlatos para cumprimento de promessas de campanha e abrigar correligionários. Significa, sobretudo, empregar os recursos de fato já escassos, em projetos que possam servir à comunidade como um todo, máxime na educação em todos os matizes, preparando os jovens para o futuro. Festanças de cunho meramente eleiçoeiros (este vocábulo com ?ç?, porque se cuida de eleição), produzem efeito momentâneo, sem qualquer projeção que permita satisfazer plenamente as verdadeiras pretensões de gerações que vivem embaladas em ilusões passageiras.