Opinião
ETERNA RIVALIDADE
A bandeira do Estado de Alagoas, tornada oficial em 1963, traz faixas nas cores azul e vermelho separadas por um espaço em branco. Há décadas convivemos com esse dualismo pacífico que se manifesta também no folclore ? vide o nosso pastoril, dividido entre azul e encarnado, mas harmonizado pela figura da Diana ? e no futebol, onde a rivalidade entre azulinos e regatianos completa um século. CSA e CRB se enfrentaram pela primeira vez em 1916 e agora, após três anos, voltam a disputar a final do campeonato alagoano, sob um clima muito diferente daquele vivido há cem anos. Entre o azul e o vermelho não há mais o branco da paz. As torcidas se digladiam com violência explícita, intolerância e desrespeito; é como se refletissem o que acontece hoje no País inteiro, dividido entre ?nós? e ?eles?, ?bons e maus?. Lembro de vários ?clássico das multidões? (CSA x CRB) com torcidas vibrantes, provocações sadias, famílias sentadas lado a lado, sem tapas ou cusparadas. Quando, então, perdemos a inocência? Quando deixamos de aceitar a derrota e passamos a agredir o adversário depois do jogo terminado sem esperar a próxima partida? Alguns dizem que a política é um jogo, deveria ser uma arte que contemplasse não interesses pessoais, mas sim a vontade da maioria, o reconhecimento da supremacia temporária, como ocorre a cada pleito eleitoral. A bandeira de Alagoas, por exemplo, não pode ser reivindicada nem pela turma do azul nem pela turma do vermelho. Brandi-la significa aceitar a harmonia, a fraternidade entre as cores. É importante que esse sentimento seja resgatado e levado para os estádios. Mais do que encontrar mecanismos para apartar as torcidas, deveríamos estar procurando formas de uni-las. Contudo, reconheço que a tarefa não é fácil. Exige determinação, assim como ocorre na política. Há dias dois times de futebol entraram em campo embaralhados. Os jogadores surpreenderam as torcidas num abraço fraterno. É um bom começo. Rivalidade, raça, revanche são termos que ganharam outra conotação no mundo do futebol. Não significa agressão, desmoralização, vingança. Precisamos reajustar o País e podemos iniciar essa caminhada tomando cuidado com as palavras, com a maneira pela qual nos dirigimos ao adversário. O CRB foi campeão em 2013 vencendo o CSA nos pênaltis. Que a revanche venha de forma serena. Que o perdedor aceite a derrota, erga a cabeça e se prepare para a próxima disputa em clima de paz.