Opinião
Festa sem clima
A frase parece muito batida, mas se aplica bem à situação atual. O fato é que o trabalhador brasileiro tem pouco ou nada a comemorar no dia de hoje. Depois de uma década de bonança, com crescimento econômico, empregos em abundância, distribuição de renda e consumo em alta, a situação se deteriorou nos últimos anos, e o otimismo foi substituído pela insegurança. Na sexta-feira, o IBGE informou que a população desocupada chegou a 11,1 milhões de pessoas, aumentando 22,2% no período de janeiro a março, em comparação com três meses anteriores. Em um ano, 1,4 milhão de pessoas deixaram de integrar o contingente de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado, que fechou o trimestre encerrado em março último em 34,6 milhões de trabalhadores. Em contrapartida, a categoria das pessoas que trabalharam por conta própria registrou aumento de 1,2% em relação ao trimestre de outubro a dezembro de 2015, o que significou incremento de 274 mil pessoas. Segundo dados do Ministério do Trabalho divulgados no mês passado, o Brasil teve a maior perda de vagas formais de trabalho em 25 anos. O País fechou 118.776 postos de trabalho com carteira assinada. Nos últimos 12 meses já foram suprimidas 1.853.076 vagas formais. Barbeiragens cometidas pela equipe econômica do governo federal resultaram numa combinação perversa de inflação renitente, juros altos, baixo volume de investimentos. A crise econômica foi agravada pela crise política, que tem paralisado o País desde o ano passado. O resultado é o fechamento de milhares de fábricas e lojas, queda na renda, no poder de compra dos trabalhadores e o crescente desemprego, travando todos os setores produtivos. Agora o Brasil está na iminência de troca de comando e é nisso que muitos depositam todas as esperanças. Não se pode, entretanto, cair na ingenuidade de achar que o impeachment funcionará como uma panaceia para os problemas nacionais. Independentemente de quem fique no poder, o desafio de reconstruir o País é enorme. É necessário colocar em prática as reformas essenciais que vêm sendo adiadas há muito tempo, entre elas a política e a tributária. O Brasil já perdeu um tempo precioso, e é preciso criar as condições políticas e gerenciais para que saia dessa letargia e volte a crescer.