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MORRER E MATAR, EIS A QUEST�O

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Aterroriza-me o que vejo diariamente no ir e vir para o trabalho, nas andanças pela cidade. É raro, infelizmente não ter um corpo estendido no chão machucado ou em óbito. Eles avançam em bloco, são irresponsavelmente loucos, fingem desconhecer o básico da legislação do trânsito ou não conhecem mesmo o que é mais provável. Ultrapassam perigosamente, o pisca de alerta dos automóveis não os intimida. Em qualquer situação esquecem que a morte pode estar à espreita um pouco mais adiante. O risco da velocidade, o zigue-zague para chegar à frente de todos é o desafio que seduz muitos motoqueiros urbanos além das fechadas e insultos constantes com os motoristas de automóveis. Os números são estarrecedores. Apesar de não existir uma estatística precisa, em 2014 a Seguradora Líder, administradora central do DPVAT, pagou 22.616 mil indenizações por mortes no trânsito brasileiro. No entanto, números catastróficos envolvem motocicletas, que representam 27% da frota total de veículos leves e pesados, porém respondem por 41% das mortes. É uma epidemia incontrolável sem que haja qualquer atitude preventiva para minimizar essa tragédia. Se eu estiver errado, por favor, corrijam-me, mas desconheço quaisquer medidas oriundas do Denatran que imponham rigor na fiscalização e capacitação dos motoqueiros. No Brasil são mais de 24 milhões desses veículos circulando pelas ruas com apenas 3 milhões de pessoas habilitadas a guiá-los. A grande maioria não teve a preparação necessária para conduzir uma moto, segundo afirma o Major Genésio Luide do Departamento de Trânsito da Bahia. Isso é assustador! Em Pernambuco, no ano passado, as motos foram responsáveis por 42% de acidentes no trânsito. Em Alagoas, a Unidade de Emergência do Agreste e o HGE, juntos, atenderam a 13 mil acidentados em 2015, números fornecidos pelo Detran. Não estão registrados aí os que foram encaminhados direto do local do acidente para os IMLs. Atualmente, mais da metade das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é de motociclistas. O médico Fernando Moreira, especialista em medicina do trânsito no Rio de Janeiro, afirmou que ?está se formando uma verdadeira legião de pessoas com deficiência física em membros superiores e inferiores, e coluna vertebral com problemas graves, como paraplegia, tetraplegia, consequência do mau uso desses veículos?. Como se não bastasse a imprudência que gera graves consequências, a moto também vai se transformando numa arma prática e perigosa para o crime. Com o rosto escondido no capacete, motoqueiros marginais encontram as maiores facilidades para assaltos e outros crimes, inclusive de morte. Ou se fiscaliza com rigor, multa e apreensão, ou centenas de jovens motoqueiros continuarão matando e morrendo nas ruas e estradas brasileiras.

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