Opinião
QUANDO MORRE UM IMORTAL
Este domingo último, desde que soube da morte do confrade James Magalhães, guardei comigo mesmo, sem dividir com ninguém, uma tristeza muito grande. Não era assim, íntimo, de sua amizade. Tinha por ele um grande respeito e vez por outra conversávamos, como da última vez que lá esteve na Academia Alagoana de Letras, numa reunião matinal. Comentou sobre o Jornal O Palácio, fez boas considerações e depois falou um tanto animado de sua saúde. Estava melhor. Não sei, ao certo, se fiquei triste por ele que já sofria tanto pela vilania da doença ou se por mim mesmo, talvez por cada um dos acadêmicos, tidos metaforicamente como imortais. O fato é que quarenta de nós comungam, possivelmente, desta mesma sensação de perda. Cada vez que morre um imortal parece que morremos um pouco com ele. Uma verdade nua e crua é que haverá sempre um próximo a ganhar esta mesma imortalidade que se materializa com morte. Mas, é quando ouvimos sua saudação póstuma, feita, geralmente, numa reunião especial, por alguém mais chegado é que damos vida ao nosso confrade com as nossas palavras. É o teor desse elogio ecoando na sala durante a assembleia, que reacende a luz de sua existência e é possível enxergar o companheiro de uma forma que contraria o pensamento cartesiano que diz: Penso, logo existo. Isto porque, todos que se vão, sem exceção, ressurgem como a fênix na memória de cada um quando as palavras os materializam. Tal momento onírico nunca poderá ser compreendido por simples mortais. Haja vista que essa imortalidade tão subjetiva é construída durante uma vida. Portanto, a cadeira é apenas um objeto do desejo. Seu titular é que deve se esforçar para dignificá-la. Como dizia o inesquecível Dr. Ib Gatto Falcão: A Academia não é o prédio nem são os livros, a Academia somos nós. É assim que o tempo nos magoa, tirando-nos os amigos, os companheiros, os familiares para amanhecer, dia seguinte em sol brilhante falando de vida. É que a vida é a busca da felicidade que cada um deseja para si mesmo. É neste ponto que a memória, por mais que nos assombre é cúmplice também de nossas alegrias. E por mais que soframos com nossas lembranças, elas fazem parte de nossa vida.