Opinião
A riqueza da Ufal
EDINALDO AFONSO M. DE MÉLO * Freqüentemente, notícias são veiculadas na imprensa enfatizando a falta de recursos por que passa a nossa única universidade pública implantada em Alagoas. Esse alerta tem despertado a sociedade para o caos que vem se instalando a cada ano. Entretanto, a situação em que a Ufal se encontra hoje, é fruto da má utilização da riqueza lá existente. O problema está na gestão das pessoas. Sem colocar em prática uma política de valorização das pequenas e grandes vitórias da comunidade, reconhecimento e premiação do potencial humano, fica muito mais difícil encontrar saídas para a situação atual. Partimos de um princípio: o ser humano quer dar o melhor de si, sentir-se útil, quer participar, opinar, comprometer-se, gerar idéias e posse. Isto faz parte da condição de equilíbrio da personalidade humana. Logo, ser produtivo não é um dever do homem e sim um direito. E quando isto não ocorre é o modelo de gestão que precisa ser modificado. Toda e qualquer empresa tem três ativos: o físico, o financeiro e o humano. Estamos, sim, com dificuldades na ampliação e manutenção das instalações físicas, aquisição de livros, periódicos, equipamentos e materiais; sofrendo sucessivas reduções na mão-de-obra, tanto para as atividades-fim como para as atividades-meio, sem as condições ideais de manutenção em geral. Tudo isso é conseqüência dos constantes cortes feitos pelo MEC no orçamento anual destinado à universidade. Ficam prejudicadas, sobretudo, as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Sabemos, porém, que o grande diferencial de qualquer instituição são as pessoas e os talentos nela existentes ? seu ativo humano. Detendo a Ufal um capital intelectual incalculável ? especialistas em todas as áreas do conhecimento ?, possuímos o ativo mais difícil de ser conquistado; aquele que realmente faz a diferença no atingimento de melhores objetivos. Portanto, pode não parecer óbvio, mas o que precisamos é de uma política de gerenciamento de talentos para buscar outras alternativas que permitirão encontrar o ?farol?, isto é, a diretriz para assumir um caminho em busca da sustentabilidade. Detalhando melhor, precisamos redesenhar processos, efetuar uma ?reengenharia humana?, atuar com maior eficácia administrativa. Somente assim conseguiremos sustentar um melhor desempenho e crescimento. Vamos continuar lutando para que o MEC disponibilize maiores recursos, mas, paralelamente, não podemos nos esquecer de definir os resultados que esperamos de todo o nosso capital intelectual. Nesse aspecto, a motivação potencializará os talentos, permitirá um maior engajamento e criará um impacto direto na produtividade a partir do comprometimento com a missão da instituição. Ninguém se motiva com uma necessidade já alcançada. A motivação provém sempre de algo ainda não conquistado. Por exemplo, se estivermos numa sala com ar assistindo a uma palestra e, de repente, começar a faltar o oxigênio, a primeira coisa que faremos é correr daquele local. Logo, enquanto tínhamos o ar estávamos concentrados, mas na falta deste, nos motivamos a sair do local. Portanto, antes de administrar, é preciso o administrador liderar e identificar quais as necessidades das pessoas e como elas respondem a essas necessidades. Somente assim, conseguiremos produzir a motivação necessária para uma maior participação do capital intelectual. Quando lideramos fazemos as coisas certas e quando gerenciamos executamos as coisas do jeito certo. Portanto, são etapas distintas. Para administrar necessitamos de disciplina, vontade de fazer direito e de um processo eficaz que indique o essencial a fazer, isto é, fazer primeiro o que for mais importante no sentido de atingir o objetivo. Somente modificaremos o quadro atual da Ufal quando experimentarmos diálogos generativos, onde as barreiras possam ser dissolvidas e pontos de vista antes aparentemente inconciliáveis, tornem-se elementos complementares. Precisamos praticar a arte de saber ouvir e ser ouvido, respeitar as diferenças e focar o lado positivo de cada pessoa ou equipe. (*) É PROFESSOR E PRÉ-CANDIDATO A REITOR DA UFAL