Opinião
O passado presente
Com espaço cativo entre as 10 maiores economias do planeta, o Brasil segue enfrentando problemas típicos do terceiro mundo, mesmo que parcela de seu povo esteja inserida nas vantagens e dilemas do primeiro mundo. Durante os oito anos de mandato de FHC, tido e havido como um presidente intelectual, o País não evoluiu nas questões trabalhistas. Apesar dos anúncios do sociólogo aposentado precoce, seus dois períodos presidenciais não deixaram como acervo o cumprimento da promessa de superar a ?era Vargas?. Hoje, sob a presidência de um ex-operário que construiu seu nome na liderança do mais combativo movimento sindical em sua época, a questão trabalhista continua emperrada. A antiga legislação trabalhista continua desconhecendo as alterações da sociedade global. Algo dessa realidade está refletido na questão previdenciária, mas o problema é mais amplo. Enquanto ainda se estuda os conflitos de um mundo novo, onde até o trabalho via Internet precisa ser corretamente entendido e normatizado, um mundo velho continua forte no Brasil. É o caso do trabalho escravo. É real a existência neste Brasil do século XXI de relações análogas à escravidão. Prova disso são os constantes flagrantes contra praticantes desse crime. Segundo o Ministério do Trabalho, neste ano já foram libertados 689 trabalhadores que estavam produzindo em condições semelhantes a milenar escravidão. Na segunda-feira, 17 de fevereiro, os fiscais integrantes do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo liberaram 250 pessoas que trabalhavam em regime escravo numa fazenda chamada Vale do Rio Fresco, localizada no Estado do Pará. Para março estão marcadas reuniões entre o ministro do Trabalho, Jacques Wagner, os procuradores do Trabalho e o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Francisco Fausto. O objetivo anunciado é ?acelerar os processos na justiça e garantir punição rápida e severa para quem pratica o trabalho escravo?. Parece que a era Vargas efetivamente foi eliminada. Só que tudo indica que o Brasil tem andado para trás.