Opinião
JUVENTUDE PERDIDA
Houve redução na violência em Alagoas segundo dados divulgados esta semana pelo Governo do Estado, algo em torno de 7% nos primeiros quatro meses do ano. O número não chega a impressionar, mas diante da verdadeira guerra civil que acompanhamos diariamente no País, uma morte a menos é motivo para agradecermos. O que causa espanto é a banalização do mal, a crueldade, o homicídio por motivo torpe. Há dias, uma servidora pública foi assassinada em casa na cidade de Pilar. Marta Emanuele Silva de Oliveira foi morta por três jovens durante uma tentativa de assalto; não reagiu, apenas tentou se proteger. Ela chegou a fazer parte da equipe quando fui governador de Alagoas. Na secretaria da juventude representava as mulheres na coordenação das lideranças. Triste ironia atroz que o senso humano irrita, como diria o poeta Jorge de Lima. Ela que via futuro nos jovens, teve o seu futuro abreviado por um deles. A juventude perpetra a maioria dos crimes, mas também é a maior vítima. Metade das mortes de garotos entre 16 e17 anos no Brasil advém de homicídios, segundo dados do Mapa da Violência divulgado no ano passado. O estudo, de autoria do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, põe Alagoas em primeiro lugar. São 147 mortes por 100 mil jovens. Garotos que não chegam a viver, que deixam famílias arrasadas, que poderiam contribuir para o crescimento do País, mas que acabam virando uma triste estatística. Há um esforço perceptível por parte das autoridades de reverter esse quadro. A queda nos números da violência, mesmo mínima, atesta isso. Contudo, precisamos ir além. Durante minhas passagens pelo governo fiz questão de eleger a escola como um centro de referência para a comunidade. Os estabelecimentos de ensino ficavam abertos durante os finais de semana com atividades culturais e esportivas que ocupavam os jovens e os levavam a pensar em outras coisas que não fossem drogas e violência. Muitos dizem que o crack é o responsável pela barbárie de hoje; talvez seja consequência. Sem opções de lazer e com tempo ocioso, a juventude mergulha em derivativos químicos estabelecendo um círculo vicioso de euforia, crise por abstinência, roubo, prisão e morte. O Brasil tem a quarta maior população carcerária do mundo. Mais de 700 mil pessoas cumprem pena em presídios desumanos que deveriam servir reeduca-las e devolve-las à sociedade outra vez cidadãos. Mas isso está longe de acontecer. Há os que advogam a construção de novos presídios. Acho que deveríamos estar construindo novas escolas.