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Opinião

Campo de guerra

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Neste final de semana, mais uma vez, Alagoas foi destaque negativo no noticiário nacional e até internacional. As cenas de selvageria que se seguiram ao apito final da partida entre CRB e CSA, no Estádio Rei Pelé, mancharam a bela festa da decisão do Campeonato Alagoano de futebol. A violência nos estádios não é um problema exclusivo de Alagoas. Em vários locais, os campos de futebol têm sido palcos de confrontos, principalmente entre torcidas organizadas. Embora algumas medidas tenham sido tomadas para diminuir essa violência durante os jogos, volta e meia as cenas de barbárie se repetem e mostram a necessidade de ações mais duras. No ano passado, os ministérios do Esporte e da Justiça encabeçaram um grupo multidisciplinar que prometia oferecer à população um plano de combate à violência nos estádios, mas não passou disso. Atualmente, tramita na Câmara um projeto de lei do deputado federal Danrlei (PSD-RS), ex-goleiro, que propõe a proibição da entrada nos estádios de indivíduos com histórico de brigas e agressões. O deputado acredita que seu projeto ainda deve considerar os modelos adotados por outros países que conseguiram diminuir o espaço da violência no futebol. Durante anos, por exemplo, a Inglaterra foi referência de violência no futebol com seus hooligans. Para mudar essa situação, todos os times ingleses tiveram de instalar em seus estádios sistemas de videomonitoramento. Com esse aparato, a polícia faz uma varredura virtual à procura de torcedores brigões. Assim que um hooligan é localizado, é retirado do estádio. O embate entre policiais e torcida foi substituído pelo trabalho discreto de inteligência. Outros países já realizaram ações para combater a violência nos estádios. Na Argentina, a AFA financiou um projeto de cadastramento dos torcedores das organizadas. Na Itália, os envolvidos em confusão, dentro e fora dos campos, são presos em flagrante e diversas câmeras foram instaladas nas arenas. Portanto, a solução para o Brasil também passa pela prevenção. Câmeras e cadastro de torcedores podem ser, sim, uma boa alternativa, para impedir que pseudotorcedores continuem sendo uma ameaça nos estádios. O futebol precisa voltar a ser um programa de lazer com a família e com os amigos. O confronto deve ser apenas com a bola no gramado.

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