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DOUTOR GERALDO L�CIO

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Conheci o doutor Geraldo Lúcio (1927-2016) em meados de 1977, quando fui estagiar nas especialidades de ginecologia e obstetrícia, sob a batuta do doutor Judá Fernandes e o comando geral do doutor José Fernandes de Lima, em Arapiraca, na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora de Fátima; dela seria ele, junto àqueles irmãos viçosenses e ao colega Edler Lins, um de seus pioneiros e proprietários. Graduado pela Faculdade de Ciências Médicas no Recife em 1956, estatura acima da média, esbelto, cabelos louros, olhos azuis, cortês, posudo, andava habitualmente arrumado. Toda vez que me encontrava, perguntava: ?Marcos, como vai a Viçosa? Tem chovido? E o compadre Ismael, trabalhando muito??. Essas eram questões quinzenais, durante os meus plantões das sextas. Pelas manhãs, ao chegar à casa nosocomial, dirigia-se ao seu consultório, pois era clínico, dermatologista e auxiliar cirúrgico do seu grande amigo, doutor Judá. Visitava então, como diretor médico, as enfermarias, o centro cirúrgico e a maternidade; muitas vezes eu lá estava examinando as gestantes e ele empurrava a porta para me cumprimentar: ?Marcos, como vão as ?buchudinhas?? Alguma cesárea? Alguma intercorrência obstétrica??. E não deixava de frisar: ?Cuidado com o número de cesarianas; o Ministério está atento a estes índices?. E saía devagarzinho. Honesto, sisudo, respeitado como profissional e administrador, quando queria aconselhar algum colega, fazia-o discretamente. Certa vez, bateu à porta do quarto dos médicos no meu dia de plantonista: ?Marcos, bom dia, posso me sentar um pouco para falar com você??. Curioso: antes de tocar em qualquer assunto de interesse administrativo, empreendia um arrodeio danado; só depois orientava: ?Vou lhe pedir dois favores: melhore a sua letra, que está pior do que a minha, e ao sair do plantão não deixe de examinar as gestantes para que o outro colega, ao chegar, esteja a par do que irá assumir?. E educadamente pedia compreensão, colaboração, desempenho. De outra feita, estávamos sentados nas cadeiras antigas de vime, na antessala do antigo centro cirúrgico, quando o doutor Geraldo Lúcio me pede uma caneta para assinar um atestado e de logo lança um ensinamento: ?Marcos, a arma do médico são um estetoscópio e um tensiômetro; armas de salvar vidas?. Todos os anos, durante a festa de confraternização da entidade, ficávamos atentos às suas palavras eruditas, compassadas, conciliatórias e determinantes como orador oficial da casa, desejando-nos um Feliz Natal, um promissor Ano Novo, a conclamar por mais trabalho, esperança, progresso e fé no futuro. Sempre quando conversava com o doutor José Fernandes, meu saudoso amigo, este me dizia: ?O Geraldo Lúcio é um esteio desta casa de saúde; homem sério, ético e profissional dedicado?.

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