loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

A VIS�O ARTIFICIAL E A ACESSIBILIDADE

Ouvir
Compartilhar

Em questões como acessibilidade ou visão artificial, a ciência e a tecnologia apresentam, vez por outra, avanços que ainda são ideias para o futuro. É o caso do cientista Walace Ugolino, que desenvolveu para sua tese de doutorado na PUC-RJ óculos que mapeiam o ambiente do deficiente visual. Chamado de Weareble Tecnology (tecnologia vestível) ou computação vestível, o equipamento mapeia informações e transmite para o ouvido, através de alto-falante, para um cinto e uma luva, fornecendo voz e sensações ao usuário. Está sendo testado com voluntários do Instituto Benjamim Constant e representa uma melhoria da acessibilidade visual. A novidade foi divulgada pelo Estadão no dia 6 de maio. Analisando a reportagem, a entrevista com o inventor e a concepção do equipamento, um portador de deficiência visual (baixa visão) pode vislumbrar outras possibilidades para o futuro. A exemplo do GPS, que hoje permite uma visão global ou particular de uma cidade, talvez seja possível num futuro próximo que o deficiente visual possa ter uma leitura de todo o seu itinerário. É claro que isso exige outro conceito de mobilidade urbana, que respeite as limitações de cada um. Contribuir com a acessibilidade é humanizar as cidades, é investir num público que, coercitivamente, não se sente motivado a participar da vida como qualquer pessoa sem nenhuma necessidade especial. Esse público pode ser um potencial consumidor. Empresas que investem em acessibilidade e atendimento diferenciado agregam valor à sua marca. Isso precisa ser percebido até mesmo quando se constrói uma calçada com piso podo táctil, uma rampa, um dispositivo de voz, um texto em Braille. Tudo faz a diferença. É de tecnologia como essa de Ugolino que se cria um ambiente adequado à computação vestível para atender ao deficiente visual. Imagine uma loja onde o cego, ao passar por cada ambiente, tenha uma descrição dos produtos com a informação ao tocá-lo. O maior problema da baixa visão são os desníveis, os degraus, as escadas, as portas de vidro, e essa tecnologia poderia sobrepor tais dificuldades sem o uso da bengala. Na verdade, o sonho de qualquer um que perde a visão é voltar a ver com a mesma nitidez, mas, infelizmente, a ciência ainda parece distante dessa visão artificial. As últimas experiências se apresentam como um alento para quem vive na completa escuridão. Por isso cuidar da acessibilidade é tão premente, é uma esperança para uma vida quase plena.

Relacionadas