Opinião
Viol�ncia consentida
NÁDIA AMORIM q Após aproximadamente quatro anos ausente do meu contato quase semanal com o leitor da GAZETA DE ALAGOAS, eis-me de volta, caro leitor. Eis-me de volta, mesmo sem o anterior vigor físico, mas movida pela força da mente, do espírito da solidariedade e da minha formação no sentido de por minha consciência de e como cidadã, não omitir o que penso e sinto acerca de acontecimentos que fazem falar mais alto nossa ancestralidade animal do que nossa domesticação pela cultura, que nos torna humanos. Mas que humanidade é essa que chegou ao Século XXI alimentada pela violência e a insanidade? Insanidade que urge ver varrida da sociedade pela punição exemplar originária dos recursos legais de que dispõe seu aparato organizador e civilizador peculiar à espécie humana. Refiro-me, caro leitor, a um fato ocorrido há um ano e cinco meses na cidade de São Miguel dos Campos, interior de Alagoas: o assassinato de um jovem de vinte seis anos, estudante de Agronomia, reconhecidamente generoso, correto e cordato, Olival Tenório Costa Neto, filho do casal Denison e Isabel. O julgamento do réu confesso está previsto para o dia 24 de fevereiro no Fórum da mencionada cidade. A família, os amigos, a sociedade estão convictos de que a impunidade não falará mais alto do que a justiça. Que ela apresente e faça valer sua face nobre e digna, sua coragem, sua ética e os princípios que teoricamente a norteiam. Pois que a ela compete manter as relações sociais e interpessoais no plano da convivência alicerçada no respeito à vida e aos direitos dos cidadãos. A estes, por seu turno, cumpre a observância dos seus direitos. Soa anacrônico falar em deveres quando os ?premiados com a impunidade?? são justamente os que mais necessitam de um processo reeducativo que lhes devolva a sua condição de humanos. Estão os sistemas judiciário, penitenciário e educacional preparados para a magnitude da reforma pela qual necessitam passar? Sequer a desejam? Ou estão, como a sociedade, atônitos, atordoados e carentes de uma reflexão nos níveis mais profundos no plano da filosofia, da ética e da prática que os regem? A preocupação com elas ainda existe ou somente resta o caos das aparências? (q) É ANTROPÓLOGA