Opinião
As belas leituras
GILBERTO DE MACEDO q Ler é ato de construção. De importância fundamental para a vida humana, pois permite o conhecimento, enriquecendo a inteligência, aprimorando os sentimentos, contribuindo para o aperfeiçoamento da personalidade. Atividade intelectual de singular relevância tem positivas conotações afetivas, pelo prazer que dá ao leitor. Neste sentido, o reencontro consigo mesmo, aliviando as tensões, diluindo os problemas, e abrindo perspectivas existenciais. Desse modo, deve ser realizado com merecido cuidado, logo quanto à seleção do texto a ser lido. Uma tarefa que exige, antecipadamente, orientação competente e discernimento, a fim de que se possa auferir da leitura tudo de bom que a mesma posa oferecer. Em seguida, quanto ao prazer intelectual. É este um aspecto importante porque diz respeito à motivação para criar o hábito de leitura que, agradável, tende a se repetir. Já no que se refere à utilidade, conforme o interesse do leitor, quanto à profissão e à área de conhecimento que se vise. Ler não é ato aleatório, para preencher o tempo, como se diz vulgarmente, mas é ato significativo de grande relevância pessoal e social. Cabe, pois, a respeito perguntar de início: o que ler, como ler, para que? Em primeiro lugar, ler os clássicos, aqueles que os tempos confirmaram o mérito; se não todos, é claro, mas alguns representativos de determinada área. Através de, pelo menos, uma obra. E, também, entre os contemporâneos, para que se mantenha atualizado. Infelizmente, está-se lendo cada vez menos. A Internet, aos que procuram, fornece pacotes de informações que evitam a leitura de livros. As conseqüências intelectuais são nocivas, porque impedem o desenvolvimento do pensamento do estudante. Sinal dos tempos. Em épocas atrás ? não é saudosismo nem egolatria- este autor gastou noites e muitos dos seus companheiros, estudantes, ainda na fase ginasial pré-universitário, no Recife, liam, de poetas ? como os nacionais (Jorge de Lima, Manoel Bandeira, Carlos Drummond, Vinícius de Moraes, Cecília Meirelles, e outros) e estrangeiros como Fernando Pessoa, Pablo Neruda, Paul Valéry, Rimbaud, Gabriella Mistral e muitos outros ? a romancistas como Graciliano, Guimarães Rosa, Faulkner, Marcel Proust, Wilder, etc. autor daquela bela frase: ?Há um país da vida e um país da morte, e a ponte entre eles é o amor, a única coisa que vale, a única coisa que fica?. E cientistas sociais, tais como Arthur Ramos, Gilberto Freyre, Rger Bastide, Durklheim, Malinowski, Kroeber, Kardiner, Ruth Bnedict, Max Weber e assim por diante. E, vale destacar, até filósofos da Grécia, como Platão Aristóteles, em traduções espanholas; e os de hoje, particularmente, da filosofia da ciência. Neste campo, para se ter melhor avaliação, citamos três cientistas, cujas obras lidas em 1941, são de nossa posse: Luís de Broglie (?Matéria e Luz?, em francês); Max Planck (?Aonde vai a Ciência,? em inglês) A.S. Eddington (?A Natureza do Mundo Físico?, em inglês) Isso para dar uma idéia do que estudantes daqueles tempos, situados no Nordeste Brasileiro tiveram oportunidade de ler. Outros tempos. E agora? A tecnologia invadiu também a área da educação. E a robotização não dá espaço para ler. As boas leituras estão fora de moda. Lamenta-se. E que as novas gerações tomem as rédeas para a reconstrução da sociedade. E dar à leitura a posição que merece na formação intelectual. (q) É MÉDICO