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MUNIZ FALC�O: O PRIMEIRO IMPEACHMENT

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O exercício da atividade de Delegado Regional do Trabalho em Alagoas, no final dos anos 40, levou Sebastião Marinho Muniz Falcão a conhecer as agruras vividas pelos trabalhadores da cana de açúcar e a conceber um projeto de governo de inclusão social. Foi deputado federal por duas legislaturas e eleito governador do Estado em 1956. A elite alagoana não aceitou o resultado. Uma engrenagem foi posta em prática para desqualificar seu governo, chamado de populista por se voltar para os mais pobres. Em 1957 foi deflagrado um processo de impeachment que resultou em tiros e morte: o deputado Humberto Mendes acabou assassinado em meio ao tiroteio na Assembleia Legislativa no dia da votação. Muniz foi apeado do poder pouco depois. Em seu lugar assumiu o vice-governador, Sizenando Nabuco. Parecia que estava tudo acabado, mas não foi isso que aconteceu. Muniz foi afastado do governo porque resolveu ir de encontro aos ricos assumindo uma postura de Robin Hood: taxou os setores produtivos para alavancar recursos que seriam destinados às áreas sociais. Um projeto foi enviado à Assembleia com os detalhes da implantação do tributo. Heresia! Gritaram os empresários acostumados a manter trabalhadores em regime escravista e negar direitos básicos. O povo estava sendo enganado, alardearam. A economia estava ameaçada, brandiram. Ninguém mais vai investir, ameaçaram. Precisamos tirar esse homem a qualquer custo, decidiram. E assim foi feito. O Supremo Tribunal Federal foi a opção de Muniz para voltar ao governo. Fora o primeiro governador a sofrer um processo de impeachment no País. A violência causou comoção nacional e em janeiro de 1958 Muniz Falcão voltou carregado pelo povo depois que STF anulou o julgamento. Governou até 31 de janeiro de 1961. Durante seu governo, Muniz criou a Casal, a Ceal, a Telasa, o Banco do Estado de Alagoas, a unidade de atendimento a pobres, com psicólogos, médicos e alimentação, e maternidade pública. Populista, ruminava a elite, mas o povo o admirava, tanto que em 1965, no início da ditadura militar, foi o mais votado nas eleições para governador. Ganhou mas não levou. Os militares alegaram que ele não havia obtido maioria absoluta e não permitiram que Muniz assumisse. O historiador Douglas Apratto, em livro, afirmou que ?um governo saído das entranhas da massa exercitou com maestria o populismo, ousando confrontar-se com as elites e a aristocracia local?. Para ele, os avanços sociais foram responsáveis pela reação violenta da aristocracia contra Muniz Falcão. Em 2017 serão 60 anos do impeachment de Muniz. Temos muito o que refletir.

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