Opinião
Longe dos livros
Pesquisa divulgada pelo Instituto Pró-Livro revelou que a leitura é um hábito de 56% da população brasileira. Em média, os entrevistados disseram ter lido 2,54 livros nos últimos três meses, sendo 1,06 do começo ao fim. Entre os que têm o hábito da leitura, a média é de 4,54 livros no período, com 1,91 inteiro. Ao todo, foram ouvidas 5 mil pessoas em todas as regiões do Brasil, entre 23 de novembro e 14 de dezembro de 2015. Os dados mostram um crescimento de seis pontos porcentuais em relação aos resultados da terceira edição do estudo, feito em 2011, quando esse número era de 50%. Mesmo assim, o Brasil ainda está em desvantagem em relação a países como Itália, Estados Unidos e França e até mesmo seus vizinhos sul-americanos. Segundo última pesquisa do site de pesquisas NOP World, em um ranking com 30 países, o Brasil está em 27º lugar no tópico tempo gasto com a leitura. O primeiro colocado é a Índia, que dedica 10h42min por semana aos livros. Já os brasileiros gastam menos da metade desse tempo, apenas 5h12min por semana. A campeã por aqui é mesmo a televisão: cada brasileiro gasta em média 18h40min semanais diante da TV. O Brasil também perde para os vizinhos sul-americanos. Nossa taxa de leitura média, por pessoa, é de quatro livros ao ano. Na Argentina, por exemplo, são 4,6 livros lidos. No Chile, a média é ainda maior, são 5,6 livros por pessoa. A falta de hábito de leitura dos brasileiros está relacionada principalmente a aspectos culturais do País. Primeiramente, vem a cultura da oralidade, predominante sobre a escrita; em seguida vem a educação tardia da população. Além disso, falta um maior incentivo por parte do poder público. O maior problema está na concorrência com as mídias: o brasileiro prefere assistir à TV, ouvir rádio ou acessar a internet a ler. O hábito de leitura é essencial para melhorar o desenvolvimento cognitivo, principalmente dos jovens brasileiros. Por isso, incentivar a leitura, já no âmbito familiar, é fundamental para melhorar o desempenho educacional dos alunos, bem como desenvolver sua capacidade de raciocínio, análise e debate sobre os diversos assuntos. Esse deve ser uma tarefa conjunta e desenvolvida por entidades do setor privado, organizações não governamentais e o Poder Público.