Opinião
TEMER E O SAQUE DO ESTADO
Alain e Flaubert fizeram observações complementares sobre uma desafiadora questão, as ideias. Alain afirmou: ?Nada é mais perigoso que uma ideia, quando se tem apenas uma?. Com uma semana no poder, Temer é compelido a atender a todas as demandas econômicas, sociais e culturais de uma sociedade impaciente, de artistas alienados e de uma oposição irresponsável. Herda também uma Câmara de Deputados acéfala, e na economia um rombo de 200 bilhões, que tem ainda a Eletrobras e outros esqueletos para aumentá-lo. É nesse cenário econômico desastroso e de alienação social privilegiada que as discussões de como os gastos dos recursos que não existem ocorrem: o ministro da Saúde diz que não existe dinheiro para cobrir toda a população atendida pelo SUS, ululante obviedade comprovada com a redução de mais de 23 mil leitos do SUS no governo Dilma, que já fazia cortes substanciais em programas sociais como o Bolsa Família,o Minha Casa Minha Vida; todavia, o PT fará oposição irresponsável e violenta a qualquer ajuste das contas. O PT continuará fazendo oposição incendiária, contudo o Bolsa Família necessita passar por pente-fino: uma análise criteriosa do cadastro de seu programa mostrará quem realmente precisa daquele dinheiro. Alguma eventual economia que se faça ali, poderá ser utilizada em programas como o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), que deveria funcionar como ?porta de saída? do Bolsa Família. O ministro Osmar Terra, do Desenvolvimento Social e Agrário, afirmou corretamente: ?As pessoas têm de ter renda. Bolsa Família não é opção de vida?. Artistas alienados da realidade nacional gritam histericamente pela manutenção do Minc; a Cultura é fundamental, inquestionavelmente, mas estava aparelhada: vinha sendo fonte de apadrinhamentos de desocupados, patrocínio de produtos culturais fajutos e cabide de empregos para militantes políticos preguiçosos. A Cultura pode ser gerida criteriosamente como uma Secretaria enxuta, criativa e produtiva, e, principalmente, desaparelhada. Quando existem tão imensas carências e tamanho desemprego implicando na sobrevivência humana, a ideia única e obsessiva de um Estado bancando tudo é bovinamente leviana. Flaubert em sua obra Bouvard e Pécuchet escreveu: ?E tendo mais ideias tiveram mais sofrimento?. Temer precisará de apoio dos que enxergam o óbvio: o Estado não tem como ser provedor de tudo, para todos, o tempo todo. O bem-estar dos cidadãos, especialmente dos pobres, só existe com crescimento, que só ocorre com as contas públicas em ordem.