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Uma quest�o de recursos e gest�o

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O novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, provocou polêmica esta semana ao afirmar, em entrevista à imprensa, que a crise econômica e fiscal faria o País ser obrigado, em algum momento, a redimensionar o acesso universal à saúde proporcionado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em nota oficial, o ministro explicou que a solução do financiamento do SUS está condicionada a uma reforma na Previdência Social. Atualmente, a Previdência consome 50% da arrecadação federal, o que, segundo ele, compromete de forma direta as demais áreas sociais. A questão da Saúde é um dos principais desafios dos governantes e uma das maiores preocupações da população brasileira. Um levantamento do Ministério da Saúde, que avalia o nível de qualidade do SUS, em uma escala de 0 a 10, revelou que a média nacional ficou em 5,5. O sistema público de saúde, que tem como função atender toda a população, expõe falhas em seus principais programas. A consequência dessas falhas são hospitais lotados. Outro problema é a mão de obra, uma vez que faltam oportunidades para a capacitação de profissionais, além de infraestrutura e médicos para atuar no interior dos estados. De fato, a questão do financiamento do SUS precisa ser resolvida. O Brasil ainda é um dos países que menos investem em saúde. A Constituição de 1988 estabeleceu a saúde como direito de todos, mas, com o volume atual de recursos destinados ao setor, é praticamente impossível manter o Sistema Único de Saúde com a missão para a qual foi criado. Atualmente, os municípios são obrigados a investir em saúde no mínimo 15% do que arrecadam; já os estados, 12%. O governo federal deve investir a mesma quantia do ano anterior reajustado pela inflação. Ainda assim, é pouco. Somente aumentar os recursos não basta. A gestão do dinheiro é um dos principais entraves da saúde pública no Brasil. Há desperdício, fraude e corrupção. Isso exige um gerenciamento competente e também com um financiamento adequado. Mesmo com suas deficiências, o SUS é uma conquista da sociedade brasileira e precisa ser valorizado e aperfeiçoado. A frase do ministro pode ter sido desastrada, mas deve servir para que o governo e o Congresso discutam meios para garantir a melhoria do sistema que atende a grande maioria dos brasileiros.

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