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Dif�cil equa��o

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O governo interino do presidente Michel Temer anunciou, na sexta-feira, que trabalha com estimativa de deficit primário de R$ 170,5 bilhões para 2016. A projeção supera o deficit de R$ 96,7 bilhões informado em março pela equipe econômica da presidente afastada Dilma Rousseff. Agora, o Congresso Nacional precisa autorizar que o País encerre as contas com deficit. Caso a aprovação não ocorra até 30 de maio, será necessário fazer contingenciamento que pode comprometer o funcionamento da máquina pública. O anúncio mostra que não será nada fácil reequilibrar suas contas e um duro ajuste se faz necessário. Mesmo que, por decisão do Senado, Dilma volte a comandar o País, ela terá que lidar com esse cenário catastrófico Para especialistas, Dilma cometeu pelo menos três erros graves na condução da política econômica. O primeiro foi o excesso de gasto público. Em 2008 e 2009, o governo Lula pôs em prática uma série de medidas para estimular a economia, num momento em que o mundo inteiro atravessava um tsunami financeiro gerado a partir da crise imobiliária nos Estados Unidos. As medidas ? que incluíram incentivo ao crédito, redução de impostos, desonerações ? se mostraram corretas naquele momento. Entretanto não poderiam ter sido mantidas por muito tempo, pois comprometeram a arrecadação e desorganizaram as contas do governo. Foi o que aconteceu na gestão da presidente. Outro equívoco se deu na intervenção do governo na questão dos preços dos combustíveis e da energia elétrica. Num primeiro momento, foi benéfico para os consumidores, mas a conta salgada veio depois. Há ainda a questão da baixa das taxas de juros sem o devido ajuste fiscal. A intenção foi boa e garantiu, durante algum tempo, alta popularidade a Dilma, mas se transformaram numa bomba de efeito retardado. Colocar a economia de volta aos trilhos exigirá um grande esforço e uma grande articulação com o Congresso. Como se viu na primeira semana do presidente interino, não será nada fácil, pois algumas medidas já aventadas encontram forte resistência. Também não se pode aceitar que o custo desse ajuste recaia, mais uma vez, sobre os ombros do trabalhador. É uma equação difícil de resolver.

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