Opinião
A CORRUP��O NA REP�BLICA DOS BICHOS
Seria a corrupção um vírus comum ao instinto animal, qualquer que seja a raça? Bicho ou homem são portadores de artimanhas trapaceiras, uns mais, outros menos. Claro que nem todos são iguais, de caráter pecaminoso. Centenas de pesquisas mundo afora constatam essa semelhança de comportamento entre seres humanos e animais. Alguns bichos e humanos são parecidos em atitudes, inclusive de personalidade, muitas vezes desvirtuada. Para Darwin, os seres vivos têm uma origem comum, principalmente o macaco e o homem, que descendem de um mamífero primitivo ancestral. Como à sua época as pessoas acreditavam que o homem era criação divina, as descobertas do cientista, claro, provocaram intermináveis polêmicas. Suas teses foram fortemente contestadas no seu tempo e ainda hoje, no mundo já dito moderno. A religião predominantemente católica considerava heresia e até condenava pessoas a morrerem queimadas em fogueiras se não aceitassem Adão e Eva como protagonistas da primeira fornicação que deu continuidade à espécie humana. Enfim, a república dos bichos também é corrupta e cultiva um ?pixulecozinho? quando alguém precisa levar vantagem. Se um macaco não consegue o que quer, ele paga propina para facilitar o negócio. Se for muito feio e não consegue uma transa com a fêmea desejada, encontra um jeitinho de seduzi-la pela boca após uma caçada bem-sucedida. No reinado dos morcegos-vampiros que passam o dia dormindo, existe um pacto entre eles quando, à noite, saem para chupar sangue de algum mamífero. Como nem sempre é possível conseguir um animal dando bobeira, alguns voltam no amanhecer sem conseguir se alimentar. Manda a constituição deles que, aquele que conseguiu sangue, que se alimentou bem, deve dividir entre outros que não tiveram a mesma sorte, sob pena de morrer se passarem 70 horas sem comer. Jacques Rousseau, filósofo e teórico político, constatou nas suas pesquisas junto à morcegada que boa parte dos caçadores que volta cheia de alimento burla a lei que rege o convívio social entre eles. São trapaceiros, desleais e nada dividem com os necessitados. O mau-caráter, trambiqueiro nasce em qualquer berço, pode ser de palha ou de ouro. Bicho ou humano, não importa. Na ninhada de cães, por exemplo, não é difícil identificar qual daqueles pequeninhos será o presidente de alguma importante instituição na sua república. Ele é agressivo, late muito, agride os irmãos indefesos, rouba-lhes o peito da mãe e arrota arrogância e egoísmo. Na avaliação dos conhecedores da espécie, esse esperto animalzinho, quando adulto, tem tudo para ser um líder corrupto e trapaceiro no meio da matilha. Portanto, comprar vantagem, corromper parceiros e roubar as instituições na vida pública não são criações de partido A ou B e nunca deixarão de existir. No século 19, o político conservador britânico Benjamin Disraeli afirmara: ?Quando os homens são puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis?. O problema é saber por onde andam os puros na política brasileira!