Opinião
ESSE OF�CIO DE SONHAR
O escritor argentino Jorge Luís Borges, considerado como um dos maiores escritores de todos os tempos, era detentor de uma personalidade notável, elegante e sóbrio em seus gestos, possuía sutileza comovente em seu falar e revelava extraordinária cultura no contexto de suas palavras. Um amante indomável das palavras que se refletia nos amplos recursos de sua escrita. Deixou a marca de uma imaginação vigorosa, de lances fantasiosos; tinha uma memória assombrosa, e conhecia em profundidade o universo literário de diversos países. Um sábio poeta e um escritor imensurável. A grandeza de Borges contava com a sinceridade e o julgamento de suas palavras. Seus biógrafos salientam o equilíbrio de suas obras e também de sua vida pessoal. Ao ser indagado se alguma vez fora visitado em seus sonhos por Juan Perón (o ditador argentino, viúvo de Evita), Borges retrucou: ?Meus sonhos têm lá o seu estilo ? de jeito nenhum vou recebê-lo em meus sonhos?. No auge de seus sonhos, o dramaturgo inglês William Shakespeare idealizou um verão perfeito. Com esta inspiração escreveu a famosa peça teatral ?Sonho de uma noite de verão? para homenagear aos nobres e seus protetores. Sua primeira obra-prima, trabalho considerado perfeito de força e originalidade admiráveis. A crítica registra que o célebre autor desenvolveu um enredo complexo e audacioso, apesar de não possuir o dom de criar enredos, o único talento dramático que a natureza lhe negara. Seus personagens, jovens apaixonados oriundos de mundo diversos, produzem diálogos absurdos e extraordinários, sendo Bottom seu principal protagonista. O título da peça traduz uma certa incerteza, o sonho pode ser de qualquer pessoa, numa noite qualquer, em pleno verão, quando o mundo parece ser mais vasto. Bottom é tido como cômico extraordinário e de bom caráter, um dos personagens mais benignos criados por Shakespeare, o inventor do humano. A peça se resume numa trapalhada erótica e num jogo de palavras ?hoje em dia a razão e o amor quase não andam juntos.? Os seres humanos passam a vida alimentando sonhos, os mais diversos e imaginários. O nosso grande Mario Quintana disse ?nunca me dê o céu... quero é sonhar com ele na inquietação do purgatório?.