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Opinião

CULTURA E INCIVILIDADE

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As redes sociais são hoje uma Babel de informações desencontradas sobre os mais diversos assuntos da atualidade. Um deles, agora, virou febre: a Lei de Incentivo à Cultura, chamada de Lei Rouanet, que, por uma questão ideológica, começaram a demonizá-la. E agora a moda é ser radical, cuspir, defecar em público ou demonizar artistas, partidos, políticos e leis. A estupidez é tamanha que não há explicação lógica e racional para atitudes tão primitivas de uma geração, digamos, civilizada. O Brasil hoje é um barco que afunda pelo peso da corrupção degenerativa. Qualquer um que pensar em ser presidente deve ter certeza de que está tratando com mãos escorregadias por todos os lados. Fidelidade é coisa do passado. E o povo perdeu de vez a fé nos políticos. Nesse cenário, anexar o Ministério da Cultura à Educação, para uns é um retrocesso, e para outros é uma questão de sobrevivência. É aí que entram questões prioritárias como saúde, segurança e educação, embora o foco sejam as Olimpíadas e o destino de Dilma. Quantos bilhões vai se economizar sem a Cultura? No máximo 4 bilhões de reais que não representa nem 1% do orçamento da Nação. Em 2012 o orçamento da cultura era 2,1 bilhões e em 2013 subiu para 3,5 bilhões. Um deputado custa 1 bilhão de reais por ano. O País vive uma polaridade cujos efeitos contaminam uma massa desinformada sobre os mecanismos da Lei Rouanet. Para quem não sabe, a renúncia fiscal que o governo faz ao permitir a captação de recursos, após um projeto aprovado, permite que cada empresa deduza apenas 4% do imposto devido para a cultura. Empresas investem em Chico Buarque, Gilberto Gil ou Caetano porque consideram que esses artistas valorizam a sua marca e, muitas vezes, vão além do que a lei lhes permite investir. Outra coisa, que essas pessoas não sabem, é o quanto tem sido importante, nos últimos dez anos, a descentralização das atividades culturais, que foram distribuídas na federação, através de uma rede de Pontos de Cultura, que estão ligados diretamente às comunidades locais. Estas ações, além de emprego e renda, geram benefícios sociais agregadores, valorizam culturalmente inúmeras regiões e comunidades pobres, promovem o turismo e reduzem a violência e a criminalidade. A falta de informação e a ideologia burra podem desconstruir mais de duas décadas de organização e trabalho sério. Basta que um representante do parlamento nacional, guiado por esses desvarios das redes sociais, apresente um projeto para acabar com a Lei de Incentivo à Cultura. Com a incivilidade desenhada no comportamento humano dos últimos tempos podemos esperar coisa muito pior.

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