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Escravid�o moderna

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Em pleno século XXI, chega a ser chocante a divulgação feita ontem pela ONG Walk Free Foundation de que, atualmente, existem no mundo 45,8 milhões de pessoas vivendo sob o regime de escravidão. São vítimas de tráfico humano, sexual, casamentos forçados e tantas outras formas de exploração. Esse número está 28% acima do registrado no ano passado e é parte da edição 2016 do ?The Global Slavery Index?, relatório anual da organização da ONG. Embora as formas de escravidão moderna tenham sido criminalizadas por 124 países signatários do protocolo da Organização das Nações Unidas (ONU) que visa impedir o tráfico humano, o estudo da WFF traz dados assustadores sobre essa prática e mostra que ela ainda é comum nos 161 países investigados. O termo escravidão moderna descreve de modo abrangente o tráfico de pessoas e as práticas de trabalhos forçados, escravidão sexual ou resultante de endividamentos, casamentos forçados e outras condições semelhantes. As pessoas submetidas a essas práticas são alvo de ameaças, coerções, abusos de poder ou embustes para impedir as tentativas de abandonar esses trabalhos. Legalmente, a escravidão está extinta, porém, em muitos países, principalmente onde a democracia é frágil, há alguns tipos de escravidão, em que mulheres e meninas são capturadas para serem escravas domésticas ou ajudantes para diversos trabalhos. Há ainda o tráfico de mulheres para prostituição forçada, principalmente em regiões pobres da Rússia, Filipinas e Tailândia, dentre outros países. Mesmo no Brasil, que aboliu oficialmente a escravidão em 1888, ainda hoje seres humanos trabalham em condições subumanas em plantações, fábricas fechadas, minas, carvoarias e outros estabelecimentos. Não obstante, o País foi um dos poucos no continente a estabelecer e financiar adequadamente órgãos independentes para fiscalizar a implementação de acordos internacionais de combate a esse tipo de crime. A escravidão moderna e o tráfico de seres humanos é crime contra a humanidade. A exploração física, econômica e sexual dos homens, mulheres e crianças condena milhões de pessoas à desumanização e à degradação. Por isso, deve ser combatida de todas as formas.

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